Janelas.
Uma brisa preguiçosa faz a nuvem baixa deslizar pela face leste da montanha. Tem razão a brisa e a nuvem ao andarem devagar, o domingo não é um dia para se ter pressa.
A mesma brisa, quase fria entra pela janela do quarto trazendo o domingo pra dentro de casa. Ando lento até a cozinha para aquecer a água do chimarrão, e me pergunto: Quando foi que inventamos que a vida tem que ser apressada de segunda a sexta?
Preparo o chimarrão, passo café e abro as janelas da sala, a brisa passeia dentro de casa mudando ares e temperatura, o sol se espreguiça atrás das montanhas do leste, e vai entrando em casa com ar dominical.
Sou dado a mudanças, mas quando as coisas estão do meu jeito, tem rituais que aprecio muito repetir. Abrir de janelas e cumprimentar o sol com um café ou um chimarrão, no silêncio da manhã é um dos meus preferidos, não importa o dia. Mas é bem mais gostoso aos domingos.
Finalmente abro a janela do escritório, e as brisas de dentro e de fora se encontram como as crianças da vizinhança. Uma bate as portas pra acordar os vizinhos e a outra faz voar todos os papéis que estvam organizados na mesa de trabalho. Em outros tempo eu ficaria incomodado, mas hoje acho graça... Saio catando os papéis e aproveito pra buscar uma caneca de café.
Iluminação, ventilação e circulação são funcionalidades da arquitetura que fazem toda a diferença, mas ter amplitude visual sempre definiu os lugares que escolhi pra viver. E as janelas são a ponte entre a funcionalidade e a estética, são a conexão entre o lado de fora e o lado de dentro.
Dizem que os olhos são as janelas da alma, concordo. E da mesma forma as janelas conduzem a alma através do que nos permitem olhar, sentir e apreciar do mundo lá fora.
Bom domingo.
Rinaldo Conti:.



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