sábado, 30 de março de 2024

Auf Wiedersehen - 30 03 2024


 O que poderia ser uma imperfeição na foto, passou a fazer todo o sentido.

 Na saída da cidade que é a porta de entrada para a serra, um até logo em alemão vai emoldurando a montanha mais alta da região. Em meio a arquitetura e natureza, uma placa digna de críticas sobre poluição visual aparece exatamente no meio do caminho.

 Mas não é assim mesmo a vida, com um ou outro detalhe de gosto duvidável no meio do caminho?

 A perfeição não existe, e a placa é apenas um detalhe na paisagem, ela não e maior que o pórtico e nunca será maior do que as montanhas, aliás, não é nem tão feia assim. E é assim a vida...
 
 A vida não é e nem será aquilo o que conaideramos um ato de perfeição. O que temos ao nosso alcance é a capacidade de perceber a beleza que existe em toda e qualquer coisa, sem medir, aumentar ou diminuir as coisas, e simplesmente contemplando tudo exatamente como é.

 Hoje foi um dia lindo e triste, ou triste e lindo, não houve perfeição apenas equilibrio.  

 Tudo pode ser mais ou menos, de acordo com a perspectiva do observador.

 Hoje foi dia de olhar para o céu, um lindo e azulado céu, do nascer ao por do sol. E tudo além disso são detalhes...

 Rinaldo Conti:.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Sonhos no asfalto 08 - 03 - 24


Sonhos no asfalto.


Calçamos os mesmos tênis, usamos as mesmas calças jeans, compartilhamos o mesmo silêncio, na mesma estrada, do início ao fim.


Eu olho pra estrada enquanto você dorme, a luz do dia some e as tuas tatuagens mergulham nas sombras da noite que nos abraça.


 No meu braço, do teu lado uma águia recém nascida se esconde debaixo do meu moletom.


 Fico imaginando o que tocou nos teus fones, antes que eles caíssem, ficando emoldurados pelos teus cabelos.


 Do meu lado, me pego sonhando acordado, ouvindo um country e pensando nas canções que pretendo escrever; para alguém como você ouvir durante uma viagem, e chegar mais rápido, ou curtir o caminho, talvez de olhos fechados.


Em algum lugar da BR101, rumo sul.


08/03/2004.


                                           Rinaldo Conti:.

quinta-feira, 7 de março de 2024

A águia e a borboleta. 07 03 24

 Em algum lugar na BR101, rumo ao norte, escrevo...

  A águia e a borboleta.

 Dizem que o bater de asas de uma borboleta em algum canto do planeta, pode criar um furacão lá do outro lado do mundo.

 Se for mesmo assim, imagino quantos tsunamis devem ter começado por ai, quando uma lágrima rolou do outro lado do globo.

  E nesses devaneios de ações e reações, refletindo as consequências do muito e do muito pouco, das tempestades que  as vezes fazemos em copos d'água, e dos apocalipses particulares que vivemos em doses homeopáticas, me peguei pensando:

 Se o bater de asas de uma borboleta pode mesmo criar um furacão, que consequências virão com o bater de asas de uma águia?

 As borboletas, passada a sua fase de larva, voam por aí embelezando o mundo durante sua vida curta; e é tão tranquilo o seu vôo quase desorientado e irregular, que fica difícil e intrigante acreditar que possam estar criando furacões do outro lado de um oceano.

 Já as águias, nasceram para expressar a beleza da natureza na sua forma mais agressiva! Voam alto, enxergam longe, e descem como um raio quando estão caçando. As águias são o ponto de equilíbrio na sua intensidade máxima.

 Também são mais longevas do que as borboletas, e neste ponto sua jornada se aproxima da caminhada de algumas vidas humanas. Lá pelas suas quarenta primaveras, diz a lenda, que as águias passam por uma metamorfose, com uma séria e dolorosa decisão a tomar: Para vivere por mais uns trinta anos a águia precisa voar para alguma escarpa, e lá onde as nuvens abraçam as montanhas, a águia arrebenta o próprio bico contra as pedras, com o novo bico que vai se regenerar ela arranca as velhas unhas, e com as novas unhas arranca as antigas penas.

  Nós, humanos, não somos tão diferentes. As vezes precisamos voar pra longe para aprendermos a lidar com o que nos tornará mais fortes. Só assim poderemos voar mais alto, por mais tempo, e saberemos lidar com os furacões pelo caminho, sejam eles o bater de asas de uma linda borboleta, de uma águia, das asas da liberdade ou outras turbulências.

 A natureza e a vida sempre foram assim, belas, intensas e muitas vezes indiferentes à nossa presença. 

A dor sempre fez parte dos processos de mudança e evolução. Então viva o melhor que puder, abra as suas asas, sonhe e voe alto, e quando as dores e turbulências forem inevitáveis, faça delas uma experiência que te tornará mais forte e permitirá ir ainda mais longe.

Bons vôos.

Rinaldo Conti:.