quinta-feira, 29 de junho de 2023

COICE DE PORCO - Nº 2

 


Tirem as crianças de perto do curral que hoje é dia de "Coice de Porco." 

Se você é novo por aqui, seja bem vindo! Recomendo que leia o primeiro Coice pra entender melhor do que se trata, deixo aqui o link: Coice de Porco

 Vamos ao texto, que o coice é curto...

 O doodle do dia na página inicial do google é sobre um poeta italiano pessimista, Giacomo Leopardi, vale a pena dar uma olhada: Leopardi

 E o coice do dia é na canela, sobre a difícil relação de quem tenta se expressar pela arte de amadurecer, e tem que lidar com expressões medíocres, como indiretas, insinuações, comportamentos infantis, invejinhas e outras babaquices. Coisas que até dá pra tolerar de alguém com menos de 12 anos e uma parca educação vinda de casa, mas acaba por aí, e não dá pra aguentar de quem já deveria ter aprendido a lidar com a vida depois do inferno hormonal da puberdade.

 Fato é que todo santo dia, por email, whatsapp, chamadas telefônicas e principalmente, pessoalmente, lidamos com várias informações e com muitas pessoas que nem sempre estão na nossa frequência. Então se nós mesmos não estamos sempre alegres, saltitantes e disponíveis. Por que o outro estaria, né?

 Dá pra entender o Giacomo Leopardi ter ficado pessimista depois de se aprofundar no gênero humano, hoje em dia ele estaria fazendo terapia 7 dias por semana.

 Resumo do Coice: Se você gosta ou não gosta de alguém, de alguma coisa que alguém falou, publicou, escreveu ou cantou, o problema é seu. A atitude mais razoável a respeito seria se pronunciar com educação, "fale na lata" toda opinião por genial ou idiota que seja é mais respeitável que um murmúrio traiçoeiro. E se não tiver acesso direto pra reclamar, passe reto, ignore, vá adiante e seja feliz! A vida é curta e hoje tem editorial, música, cardápio, catálogo e sintonia para todos os gostos, você certamente encontrará algo que vibre na sua frequência. 

 E para quem já está de saco cheio de tudo, trago uma descoberta revolucionária! Você pode mandar quem você quiser, ou pode você mesmo ir pra "casa do caralho" de Uber! Isso mesmo, o endereço existe, é só pesquisar no app, e dá pra ir de UberX, Confort ou Flex.

 No mais, um abraço para os amigos, um coice para os recalcados, e boa viagem pra quem gostou da sugestão! Até o próximo coice.

                                                                                                                                               Bagual:.

segunda-feira, 26 de junho de 2023

TEXTO DE DOMINGO - N°2


 E o texto de domingo vai chegando depois do jantar de segunda, com sabor de comidas típicas, e um chá de boldo pra rebater a comilança inevitável...


  Crianças correndo no gramado, casais dançando, pratos fartos e mesas com toalhas xadrez, velhos amigos, ambiente familiar, tragos, negócios e todo mundo cantando as canções de tempos passados... Não é um filme contando histórias de imigrantes. É a vida real...


Existem duas atividades que recomendo, e das quais não me abstenho quando estou na região do Vale do Itajaí. Comer e beber, bem. E posso resumir a experiência e sugestão a dois ítens indispensáveis: "Cucas e cervejas". A gastronomia da região vai muito além disso, e também vale muito a pena conhecer o bom e velho marreco recheado com repolho roxo, cujo sotaque na pronúncia é tão marcante quanto o sabor, além do joelho de porco, spätzle e mais um tanto de comidas deliciosas da gastronomia tipica alemã. É possivel encontrar um pouco disso tudo na vila germânica, e esses sabores se espalham por todo o vale.


 As cervejas, tanto locais quanto de outras regiões são um atrativo igualmente indispensável, as opções cumprem a função de agradar a todos os paladares, compondo harmonizações incríveis e desafiando os incautos. 

 

 A surpresa do final de semana, que não estava no radar e nem no cronograma, foi a festitalia, um festival que celebra a cultura italiana, movido a muita comida boa, música e danças típicas, com destaque para uma cascata de polenta 
responsável pela alegria do almoço de domingo.

 Trivialidades e amenidades são o corpo e alma deste belo domingo, que sem planejar foi se tornando um  domingo clássico em família, com direito a esbarrar nas origens em plena entrada da festitalia. 

 Para quem estiver pelo vale, a festa vai até o dia 02 de julho. Aproveitem, está genial!

 Digestão feita, resumo registrado, mas no ar permanece o perfume do vinho e das massas, e o tilintar das taças convida para mais uma rodada. Quem sabe?

Faccio sapere alla famiglia che sarò nella regione questa settimana. 

 Saluti a tutti!

                                              Bagual Conti:.



 
 

 

quarta-feira, 21 de junho de 2023

O FIM DA COMUNICAÇÃO (Só hoje.)

 O telefone mergulha no vazio escuro da madrugada, com a tela iluminada, cheio de mensagens de whats e why not? Com um monte de emails meio chatos e textos em contextos variados. 

 A comunicação pode ter dois fins, o primeiro se divide em três: Começo meio e FIM.  É dizer o que tem que ser dito, sendo claro e objetivo, em tese seria algo típico do texto jornalístico, que deveria ser informativo. Começo meio e FIM também se aplicam ao texto jurídico, que começa em uma denúncia e termina em um veredicto, com floreios típicos latinos, condição "sine qua non" ao juridiquês bendito. Já na publicidade o texto começa no planejamento, e no meio encontra alguém que no FIM sempre vai comprar alguma coisa.

 O que vale para os textos também se aplica a todo o contexto da comunicação e seus subprodutos, filmes e canções, mídias sociais, rádio e televisão.

 E se não for assim o lance fica circense, nonsense, sei lá. Nesse caso o FIM vira um recurso literário, amparado ou apoiado na licença poética, e aí esse FIM pode simplesmente ser o momento em que a história acaba, e pode até terminar no famoso "final aberto à interpretação".

 Então pra finalizar este texto, se você viu a foto no topo, ou no link do instagram, e pensou que se tratava de um tratado sobre a inteligência artificial, sobre regulações governamentais ou alienígenas que poderiam derrubar as nossas antenas, relaxa. O FIM desse texto é só pra contar que o meu celular caiu da janela do décimo andar. E como eu faço parte dessa turma que vê uma boa história em tudo, essa foi a melhor maneira que encontrei pra narrar o fato, fazendo uso da licença poética que me cabe.
 
 Alguém deve ter visto o telefone mergulhando no vazio com a tela iluminada... Mas fiquem tranquilos, a comunicação segue firme e forte, pela nuvem, hoje continuarei escrevendo pelo note até substituir o aparelho kamikaze, pois o FIM aqui é escrever.
 
 A comunicação também segue firme e forte pelo rádio amador, e pela rádio Atlântida Floripa que já toca a trilha desse dia que vai começando, com um saboroso cafezão!

Rinaldo Bagual Conti:.

 
 

segunda-feira, 19 de junho de 2023

COICE DE PORCO - 19 06 23


Pra quem curte bacon, presunto ou usa banha pra cozinhar, sabe que esses produtos vem dos suínos.


 O que algumas pessoas talvez não saibam é que os porcos dão coices, como fazem os cavalos e mulas, mas como tem as pernas curtas o alcance do golpe é igualmente curto, porém não menos dolorido.


 A expressão "curto igual a coice de porco" é utilizada em alguns cantos do sul do Brasil, e faz referência a atos e expressões mais objetivos, e contundentes.


 Tal como os textos de domingo, o Coice de porco é parido nesta primeira edição em um parto um pouco longo e autoexplicativo, mas seguirá engordando as páginas do blog com textos miúdos e mais objetivos, talvez contundentes.


 Dito isto, sirvo um petisco inspirado na janela embaçada:


 “ É segunda-feira, e quando um café acelerar a caminhada do seu dia, lembre-se de manter o trilho, manter o foco e a fé no que tem que ser feito, cuidando da própria vida, e buscando cercar-se dos que correm junto contigo, se espelhando naqueles e naquilo o que te inspira, e transpirando pra chegar no objetivo.”


 Abraço, e boa semana! 

                                                        Bagual:.


domingo, 18 de junho de 2023

TEXTO DE DOMINGO - 18/06/23

 

                                                                                      Floripa, Trindade , 18/06/2023

 

 Passamos do meio do mês que marca o meio do ano, e só vamos!


 Eis o primeiro “texto de domingo”. A arma secreta sem calibre definido, a carta fora do baralho que virou a carta na manga e pode até virar o jogo, ou a desculpa perfeita para manter o ritmo.


 Esta semana tivemos o dólar e o bitcoin caindo, perspectivas de diminuição na taxa de juros, uma guerra que continua no outro lado do mundo, e amigos que partiram, uns por um tempo, outros pra sempre e uns que não voltam mais... Perdemos o tecladista do R.P.M, Luiz Schiavon, que pra minha geração era a cara e o timbre dos teclados no Brasil, assim como Jean Michel Jarre foi para o mundo, nas décadas de 80 e 90. Teve lembranças e nostalgia sobre os shows do R.P.M.


 Neste sentido de perdas e ganhos, de arte e expressão, esta semana tivemos mais trabalhos de estúdio em obras autorais, e em breve vai rolar uma nova canção para ser compartilhada com uma qualidade bacana, para que aqueles que curtirem possam ouvir nos seus fones, telefones, no carro, ou em qualquer lugar. Na mesma esteira, vem as atualizações do blog, e o primeiro texto de domingo.


  Sem pretensões artísticas exacerbadas, mas os textos e músicas guardadas não cumprem a sua função no mundo. Se não agradar a todos os ouvintes e leitores para os que gostarem o diálogo estará aberto, e o material disponível. Entreter quem está afim de ler umas linhas ou ouvir alguns versos, esta é a intenção. Falar com os amigos, sem ter que escrever de um a um, afinal o carinho e a vontade de dar um abraço em todo mundo são os mesmos, mas o tempo é escasso, e a gente às vezes mal responde as mensagens que chegam.


 Então é  essa a bula do texto de domingo, que vai ficar disponível como um amigo, sentado na frente de casa, com um chimarrão e umas mexericas num dia frio e ensolarado, esperando feliz aqueles que chegarem ou estiverem de passagem. Ficam os textos e as músicas à disposição para entreter, como aquele músico que toca nos restaurantes durante os almoços de domingo, só pra fazer uma sala, e um fundo agradável aos convidados, arte pela arte.


 Eis um registro genérico do que vem pela frente. E como aquilo o que nos inspira tende a ser mais um diálogo do que um monólogo, sugestões opiniões, críticas e comentários são sempre muito bem vindos. Você pode também entrar em contato direto pelo instagram.


 Fico por aqui na intenção de que o seu domingo tenha sido bom, que o texto embora breve tenha sido agradável, e desejo que a sua semana comece na melhor sintonia com os seus objetivos.


 Baita abraço!


Eu sou o Conti, e este foi o primeiro texto de domingo.

                                                                                                                    



quinta-feira, 15 de junho de 2023

O BILHETE E A MÁQUINA DO TEMPO

 



  " Do que vivemos e de onde estivemos, talvez somente a memória, ou alguma história conserve os eventos. Eis a máquina do tempo..."

 Andava pelos corredores de Buckingham em um dia de festa, sem saber bem o que fazia ali, mas estava tão animado quanto todo mundo. 

 Quem escreve tem essas coisas de sentir a energia no ar, e embarcar no campo magnético do ambiente, na catarse coletiva, só pra sair catando palavras e tentando traduzir as sensações. 

 O palácio, a corte, o séquito e os súditos, os convidados mais e os menos abastados se cruzando pelos corredores e salões, aquilo tudo era como um sonho narrado em contos antigos. Nos palácios do Reino Unido, pra quem não é da corte a sensação de sonho é algo tão vívido que deixa  um sentimento urgente, causando no visitante a avidez por criar algum registro. Nos tempos de hoje seria uma selfie ou qualquer fotografia, em outros tempos, uma cronica, um conto ou uma poesia, uma carta que seria remetida ao futûro narrando a experiência vivida.

 Escrever sem a pretensão de agradar, sem a obrigação de convencer, sem a intenção de vender, é o que permite ao escritor acessar recursos tão fantásticos quanto imperceptíveis, é como criar portais no tempo para onde o escritor pode voltar, ou até mesmo conduzir o leitor que nunca esteve por lá. 

 Era essa a sensação, a avidez pelo registro eternizante, no ambiente excitante, quando faltavam poucos minutos para a troca da guarda, horas antes do baile, pouco antes do jantar. Escrever, registrar o momento e marcar no tempo o ponto certo pra poder voltar, tanto para os que nunca pisaram nos jardins do palácio, quanto para os que estiveram naquele dia caminhando entre as amoreiras de Sodoma, caso um dia a memória lhes viesse a falhar.


 E como se fosse de casa, da própria corte, sentado numa das poltronas aveludadas ao lado de uma  escrivaninha, sabia que na primeira gaveta da velha mobília haveria uma caneta e algum pedaço de papel. O relato daquele sonho, o resumo de como voltar naquele tempo se daria em um simples bilhete com o local, a data, e o motivo do evento. Seria o suficiente para qualquer um poder voltar no tempo quantas vezes fosse necessário e a partir dali seguir revivendo os fatos, criando contos e relatos.

 Em segundos estava feito, bastava ajeitar o traje e voltar ao evento, levando no bolso o bilhete de embarque da máquina do tempo...



sexta-feira, 9 de junho de 2023

FÉ, CAFÉ E SONHOS - 09 06 2023



 Sempre achei curioso o estilo de vida dos ciganos, na minha infância, na região onde morava era comun ver os acampamentos que ficavam em algum lugar da estrada, nas entradas e saída das cidades.

 Passados uns anos, eu já morava na capital e não raro via alguma cigana pelo centro da cidade, as vezes uma ou outra me abordavam querendo fazer uma leitura de mãos. Com o devido respeito, mas o que me chamava mesmo a atenção eram algumas moças bonitas que ficavam muito bem naqueles vestidos, uns coloridos e outros com decotes atrevidos, algumas com um olhar sedutor e enigmático. Nunca liguei, nem me interessei muito por estas artes adivinhatórias, sempre mantive o devido respeito, afinal é um sinal de boa educação não duvidadar daquilo o que não entendemos, principalmente daquilo que se esconde entre decotes e rendas... 

 Num belo dia, uma dessas mulheres me abordou de uma maneira inevitável, eu diria que até mesmo "infugível". E não era pra tentar me arrancar algum trocado, era mesmo, ou ficou sendo, como se tivesse algo realmente importante pra me contar. E não sei se foi pelo inusitado da situação, ou porque eu resolvi acreditar no que ouvia, mas quase tudo fez tanto sentido que passadas algumas décadas ainda trago muito daquela conversa comigo, outras coisas fui relacionando ou encontrando em livros, e em outros fatos parecidos. Algumas coisas, inclusive com certa frequência até compartilho, nas entrelinhas, como de costume.

 Por ironia, quem sintetizou da melhor maneira tudo o que a cigana me disse foi um crente, gente finíssima, e com quem eu tive o prazer de trabalhar. Digo que foi ironia porque pra ele essas artes adivinhatórias eram uma prática condenável. Mas sem mencionar a fonte, eu simplesmente comentei as previsões, e o quanto eu achava aquilo incrível, até improvável. Mas a síntese daquele irmão de obras foi simplesmente objetiva e arrebatadora. Disse ele: " Aceita a profecia, porra! Se você tem aquilo o que quer é porque era pra ser teu, e se ainda não tem, é só fazer por merecer, pedir, receber e aceitar que é assim, Deus proverá."  
 Pois é, ele também falava uns palavrões, mas pra quem acredita que o criador escreva certo por linhas tortas, fica fácil pra aceitar que uma mensagem divina possa soar meio rude pra que seja ouvida por um abençoado e desatento ser humano. Esse foi um dos caras que eu conheci que mantinham a mais inabalável fé, e cujo ensinamento sobre "acreditar" também permanecem na minha bagagem.

  Mais adiante na linha do tempo, fazia tempo que já não via nenhum cigano, nenhum amigo crente havia me profetizado mais nada. Mas a vida, as previsões e as profecias seguiam de vento em popa, e num ato contínuo daquele fluxo cósmico, eu havia passado um bom tempo fuçando aqui e ali em textos populares ou proibidos, coisas que passeavam entre a filosofia, o exoterismo, o esoterismo, o misticismo, e uns tantos tipos de fé. Sempre que encontrava alguma resposta, ou na medida que as coisas ia se materializando, eu simplesmente "aceitava a profecia".

  Lá pelo início da faculdade, estudando a psicologia do consumidor, dei de cara com uma muralha chamada " A interpretação dos sonhos " do Freud. Li tudo, não entendi muita coisa, mas estabeleci uma relação com todos os assuntos pelos quais havia me interessado até então, e cheguei na conclusão de que dá pra analisar os sonhos dos outros de uma forma funcional e útil para algumas situações; mas é analisando os próprios sonhos que se pode navegar em mares desconhecidos e mergulhar em águas profundas!

 E sem nenhuma pretensão, com o único objetivo de refletir, ou mesmo por diversão, volta e meia me pego avaliando algum sonho, em geral e com mais frequência avalio os meus. E foi o que nos trouxe até aqui!

  Hoje acordei cedo, fiz meus rituais da manhã, e na hora de passar o café me dei conta de que havia sonhado justamente com o café. No sonho que foi muito simples eu simplesmente havia esquecido de colocar o filtro na cafeteira, e isso foi tudo. A análise, como de costume também foi automática " O FILTRO" era a peça principal, o alvo da análise, e a tese foi simplesmente: relacionar a fé de que aquilo faria sentido, com o café que neste caso representava o fluxo das coisas, e o sonho como mensagem a ser interpretada. 
 A síntese foi uma professia auto-realizável, mas que me agradou bastante: As vezes é preciso remover os filtros daquilo o que sentimos, do que queremos, do que fazemos, e simplesmente sentir, fazer e querer. Não julgar o meio, nem a mensagem e muito menos o mensageiro, e simplesmente receber.

 Não sei se este texto vai servir como uma luva, ou um chapéu, se vai ser mero entretenimento ou levar o leitor a navegar em si mesmo ou mergulhar em pensamentos, mas posso dizer que tenho uma mensagem importante e forte como um café sem filtro pra deixar por aqui:

 " Sonhe, tenha fé, beba um bom café e...  ACEITE A PROFECIA, porra! "

   Boa sexta feira.                 
                                                                                                                   Bagual Véio!                                                                                                     

   ps: Não faço consultas ( risos )

                        

quarta-feira, 7 de junho de 2023

ÚLTIMOS MINUTOS DO 2° TEMPO!

 Pra quem chegou nos últimos minutos, e pra quem sobreviveu aos últimos anos. Além dos sonhos e aquém dos planos, haviam algumas histórias que eu tinha que contar. Essa é uma delas e fala de músicas.

 Desde que eu lembro de lembrar de alguma coisa, sempre andei anotando ideias, coisas pra fazer, coisas pra lembrar. E foi por aí que eu me dei conta de que gostava de escrever, e certo dia alguém me disse que deveria escolher alguns textos para publicar.

 Não havia publicado nada ainda, mas seguia escrevendo, e foi mais ou menos quando resolvi aprender a tocar. Descobri logo que a música era mais um caminho pra criar, e o que eram poesias foram virando canções, nada de muito e nada demais, algumas até mesmo esqueci como tocar, só que ficou pra sempre o gosto por unir acordes com palavras...
 
  A pouco tempo atrás,  em uma aula de filosofia, que falava sobre a importância de "dar vida" para aquilo o que a vida nos inspira. Surgiu uma reflexão, de que  "a nossa existência as vezes pode se dar para dizermos apenas uma palavra."
 Sai da aula incomodado com aquilo de viver pra dizer uma só palavra, e não sei por que cargas d'água lembrei de um trecho da bíblia: "dizei uma só palavra e serei salvo." Não sou bom de bíblia, mas acho que isso está em Mateus. 
Lembrei também da história de Fidípedes, o herói grego da Maratnona, cuja coisa mais importante que disse na vida foi justamente, e somente uma palavra.

 Coisas do acaso, ou o universo conspirando, Deus operando milagres, sei lá... Nos últimos dias as pessoas com as quais eu mais gostei de falar sobre música apareceram, algumas músicas apareceram em cadernos empoeirados, pintou-se um quadro com as tintas do tempo e da memória, e algumas coisas voltaram a andar, tomaram velocidade, e como num jogo que vai correndo para o fim do segundo tempo fomos trocando passes. O objetivo é dar vida para algumas obras esquecidas, nem que seja pra dizer uma única palavra em alguma canção, e quem sabe assim cumprir a missão ou se salvar. 
 De qualquer forma, só essa pulsação de ensaios, ajustes e ambiente respirando arte, já são um resgate da magia ao redor da música. E a palavra do dia é sintonia. No fim do segundo tempo, correndo pra salvar a partida.

sábado, 3 de junho de 2023

UM SÁBADO NA SERRA.


    Sou o tipo de viajante que não se dá por satisfeito com fotos de pontos turísticos da moda. Gosto mesmo é de conhecer a essência dos lugares por onde ando, e essa essência está nas pessoas, no que fazem, no que falam.  

 Não que eu preste atenção na vida alheia, mas tomar café num sábado de manhã, onde o pessoal da cidade se encontra é a melhor maneira de conhecer qualquer lugar, e divertir-se.

 A primeira discussão séria que não tinha como não ouvir foi sobre a diferença entre o chocoleite original e as imitações, e pra quem é dos anos 80 sabe muito bem o quão sério é o assunto.  Alguns chocoleites e cafés depois, o assunto passa para os bailes de hoje a noite, afinal são dois bailes e dois conjuntos, e parece não haver consenso, só um dos conjuntos pode ser tão bom quanto o chocoleite original...

 E o papo segue nos briques de tratores e tobatas, negociatas de vacas, leitões e ovelhas. Um candidato a vereador tenta explicar as diretrizes municipais sobre a implantação de loteamentos, mas acaba ficando com a conta de uns cafezinhos. 

 No fim do café, uns vão trabalhar, outros vão jogar no bicho e eu sigo meu caminho pensando: Talvez eu gostasse de planejar outros negócios, com menos ações e ativos digitais e mais tratores, ovelhas e vacas. De qualquer forma, conheci um pouco mais de um lugar que eu gosto, do jeito que eu gosto de conhecer os lugares, pela essência.

        Rancho Queimado - SC,  03/06/2023