sábado, 26 de novembro de 2022

CONHECENDO O URUGUAY - PALÁCIO TARANCO - PARTE02

 


 No dia em que conheci, por acaso o Palácio Taranco chovia em Montevideo pela manhã. Hoje enquanto atualizo as mídias, e vai ao ar o segundo vídeo sobre o palácio: Palácio Taranco - Parte 02 , chove em Floripa, e é uma satisfação poder compartilhar, e relembrar estes momentos.

 No primeiro vídeo : Palácio Taranco - Parte 01 apresento um pouco da histórias e algumas imagens do palácio, com narração em off. E nesta sequência reservei as imagens do subsolo do museu que abriga uma exposição arqueológica incrível!

 

 São peças com mais de 3.000 anos, na sua maioria de origem grega, mas com alguns ítens variados de outras regiões, inclusive do egito.


 Um dos destaques são as pequênas lâmpadas á óleo mesopotâmicas, estas com mais de 3.500 anos!
 Estas pequenas peças na foto abaixo inspiram grandes reflexões, pois já foram o ápice da tecnologia, era o homem moldando e modelando materiais e substâncias para exercer o controle sobre o fogo, e e luz. Basicamente processos que até hoje repetimos de forma mais ou menos aprimorada, acendendo lâmpadas elétricas, ou acionando nossos fogões a gás...



 As ânforas são aqueles recipientes grandões, que embora mais rudimentares e menos delicadas, guardam também suas peculiaridades e histórias. Eram elas os "containers" da época, responsáveis por  armazenarem as especiarias, os óleos, a água, os víveres e é claro, os vinhos! Muito do que seria consumido nas viagens e trambém o que seria comercializado era transportado nestes jarrões de cerâmica, que na época deveriam ter a mesma importância que damos hoje as caixas de papelão, mas que felizmente sobreviveram por milênios para nos contar um pouco mais sobre a nossa própria história.

 


 Entre a história mais recente contada nos andares de cima, e os milênios passados guardados nestas peças, há também um interlúdio arqueológico da própria história de Montevideo, que se expressa em uma bela parede bruta de pedras. Esta parede que é parte dos alicerces do palácio foi também parte das fundações do primeiro teatro de Montevideo, conhecido como "Casa de Comédias". Depois de desmanchado o antigo teatro as fundações foram consideradas adequadas ao novo projeto, e hoje o museu de artes decorativas é uma verdadeira máquina do tempo, distribuida em camadas que contam décadas, séculos e milênios...


 E tão importante quanto conhecer e preservar a história e as nossas histórias, é saber a importância de contá-las e compartilhá-las. Em todos os museus que tive a oportunidade de visitar no Uruguay, sempre houve alguém disposto a orientar, e explicar um pouco mais sobre os lugares e as histórias, no Palácio Taranco tive o prazer de uma longa conversa que me trouxe todas as informações que compartilho por aqui.


 E assim é a história que nos trouxe até aqui, conhecendo um pouco mais de onde viemos, pra entender um pouco melhor o que somos, e porque somos, e pra seguir a partir daqui escrevendo as nossas próprias histórias.

 Continua chovendo em Floripa. Um dia excelente para escrever, compartilhar e matar um pouco a saudade, planejando a próxima viagem.

 Para histórias recentes, segue no instagram: @conti.historias

 Nos vemos na próxima!









sexta-feira, 11 de novembro de 2022

Palácio Salvo - Montevideo 24/10, Floripa 11/11 de 2022

 


 Sim, tem vídeo novo no canal! Clique e confira: Palácio Salvo, Montevideo.

 E pra não chover no molhado repetindo a narração do vídeo, reservo como de costume o blog para as impressões mais espirituais da coisa, e deixo o texto solto, do coração pra ponta dos dedos...

 Lembro da primeira vez que andei pelas ruas de calles de Montevideo, e da impressão que tive ao descobrir no fim da Avenida Dezoito de Julho o Palácio Salvo. Foi um lance, quase um romance, parecido com o que aconteceu quando conheci em Florianópolis a Ponte Hercílio Luz... Essas obras que são fruto de um propósito e uma inspiração tão grandes que tem o poder de seguir por anos impactando e inspirando outras pessoas. Lembro de sentar na Plaza Independência, e sem saber, e também sem nem querer saber nada mais a respeito daquela obra, simplesmente fiquei adimirando seus detalhes e imaginando as histórias dentro e fora daquelas paredes, sem imaginar quantas vezes eu repetiria este mesmo ritual a coisa simplesmente foi acontecendo, e foi um ir e vir e voltar, e ficar olhando e sentindo como se fosse a primeira vez. Mas desta vez foi diferente, talvez porque estivesse com um pouco mais de tempo no orçamento, ou com um pouco mais de orçamento na agenda, enfim, me dei ao luxo de fazer um passeio guiado pra conhecer por dentro o Palácio Salvo.

 



 Os passeios guiados custam 400 pesos uruguayos, o que foi algo em torno de R$ 52,00. Essas taxas de visitação e o condomínio arrecadado com os moradores e lojas alugadas são o que mantém o edifício, que em bora seja um patriônio histórico, cultural e também um cartão portal, não conta com nenhum subsidio ou verba pública para a sua manutenção.

Saimos pontualmente ao meio dia, eu e a guia, não havia mais ninguém para o tour naquele dia e horário, para minha alegria foi praticamente um passeio VIP, mas infelizmente, não era permitido filmar dentro do edificio, apenas fotografar e sem o uso do flash. Por um lado achei um apena, pois tenho documentado a viagem na maior parte com tomadas de vídeo, por outro lado isso fez com que eu tivesse que me esforçar um pouco mais na edição do vídeo, o que foi bom pois fez surgir um formato diferente.

 

 Enfim, poder curtir a vista lá do alto da torre do Palácio Salvo é como olhar par ao passado e para o futuro enquanto se aprecia os contrastes entre os prédios novos e antigos, e ainda é um excelente exercicio de contemplação do momento presente.


O tour é rápido, prático e objetivo. Para os curiosos e apressados, aqueles que não tem paciÊncia para museus é o passeio ideal. E para aqueles que como eu gostam de adimirar e bater um papo com o guia, bom falando pela minha experiência foi excelente. Mas existem tanto detalhes e tanta história na atmosfera do Palácio Salvo, que seria necessário morar lá por alguns anos para entender mesmo um pouco mais a fundo tudo o que o icônico edificio encerra e conserva.


 E por falar em morar lá, é possível alugar ou mesmo comprar apartamentos no edifício, com diversas configurações. Hoje vivem e trabalham no edifício aproximadamente mil pessoas, o que faz dele quase um bairro vertical no coração do centro.


 O passeio termina no Museu do Tango, que se localiza exatamente onde ficava um dos salôes da antiga confeitaria La Giralda, que deu lugar ao edifício. O Museu marca o local exato onde foi tocado pela primeira vez o tango "La Cumparcita" de Gerardo Matos Rodrigez. Esta música além de ser o tango mais famoso de todos os tempos também está entre as músicas mais gravadas e reproduzidas da história.



  Enfim, terminei meu passeio, me sentei na praça e continuei adimirando o Palácio Salvo, com a impressão de que agora apenas sei o quanto há para ser descoberto naquele edifício, e hoje além de adimirá-lo também estou mais instigado a saber um pouco mais a respeito, mas isso com toda a certeza esta reservado para as próximas viagens...

 Para mais alguns detalhes, acompanhe no youtube pelo link no início do texto ou pelo instagram @conti.historias.

 Até a próxima!

 







terça-feira, 8 de novembro de 2022

Palácio Taranco - Museu de Artes Decorativas - 25 10 22

 No meio do caminho tropecei em uma pérola e caí numa máquina do tempo...


  Havia chovido a noite e também pela manhã, alguns papéis tinham molhado dentro da mochila, e minha jaqueta também estava pingando, então resolvi que minha recompensa pelo sacrifício da manhã seria almoçar no mercado de carnes e comer um belo churrasco, e assim eu fiz sem a menor expectativa quanto ao restante do dia.

 Fazia alguns meses que eu não bebia nada de alcool, mas como estava me deslocando de ônibus, tinha acabado meu expediente, e estava em um moneto de indulgencias, me permiti também tomar uma cerveja para acompanhar o churrasco. Um belo bife grelhado na lenha, e uma cerveja sem pressa fora tudo o que eu precisava para diminuir a velocidade e voltar do mercado para o centro ainda mais contemplativo do que já sou por natureza. Embora soubesse bem o caminho, como não tinha pressa me permiti guiar pelas arquiteturas que fossem mais agradáveis aos olhos, e foi assim que acabei chegando na Plaza Zabala. As nuvens havian se dissipado e embora a praça e o entorno estivesse muito bonitos numa combinação de contrastes de luz, me chamou a atenção o casarão do outro lado da praça, naquele momento eu havia descoberto o Palacio Taranco, e estava prestes a dar um mergulho na história e um passeio no tempo...

  Quase que por acaso eu já havia visitado outros museus, em todos a entrada era franca e sempre havia alguém para recepcionar e dar informações úteis, relevantes e muito interessantes, no Palacio Taranco, qeu abriga o Museu de Artes decorativas não seria diferente, porém a infinidade de detalhes para aprecisar, e a ausência de outros visitantes me permitiram literalmente uma viagem no tempo! Das primeiras informações que recebi na entrada, as explicações nos painéis e murais nos demais ambientes, tudo ia corroborando par a imersão, mas a ausência de outras pessoas, o silêncio das ruas e o cantar dos pássaros no jardim criavam uma atmosfera hipnótica, a opulência dos ambientes e o ar de palácio antigo também sucitavam sensações diversas, entre a curiosidade e o suspense.




 Os ambientes realmente permitem se perder brevemente, e mais de uma vez se confundir no mar de portas que interligam todos os cômodos. Eu pensava sobre a privacidade que não deveria existir com aquele tanto de portas, em uma casa onde viveram ( se não me engano) nove crianças, um casal, mais dois adultos e também todos os funcionários que faziam funcionar o palácio, além das visitas constantes. E além disso, a imaginação certamente atravesava as portas que estavam fechadas á visitação fazendo imaginar quantos cômodos mais existiriam por ali, e passagens secretas e aquelas coisas todas que se imagina de construções deste estilo e desta época. Isso me fazia pensar também na possibilidade de ser observado, além das câmeras de vigilância, por habitantes de outras dimensões, sensações que só este tipo de ambiente são capazes de provocar.


 Enfim, registradas estas impressões, que afinal é a proposta do blog, pois as informações de ordem mais prática ficam por conta do canal no youtube e do perfil no instagram, aqui reservo para meus devaneios espirituais e textuais...
 Mas, aproveito para comentar sobre alguns dado interessantes, entre eles a origem do Palácio que foi construido entre 1908 e 1910, sobre as ruínas do primeiro teatro de Montevideo, a Casa de Comedias, que datava de 1793.
 No palácio estiveram figuras importantes do período histórico, como o Papa, e o principe da Inglarterra, além de diversar outras figuras notáveis em momentos importantes.
 O museu além de conservar fielmente os ambiente na planta térrea, e de abrigar diversas coleções na planta superior, como pinturas e as próprias lâminas dos projetos do palácio, algumas em aquarela, também conta com uma exposição arqueológica incrível no subsolo, com artefatos gregos e egípcios datados de mais de 3500 anos!
 
 

Além de toda riqueza histórica e cultural, o Museu de Artes Decorativas conta também com a excepcional atenção da equipe que além da educaçao típica do povo uruguayo são muito atenciosos. Este passeio que começou pelos séculos passados e cruzou pelos milênios no subsolo, terminou com uma aula de história, e também pela percepção agradável e feliz de encontrar pessoas que além de ter orgulho da sua própria história senten-se felizes por compartilhá-la.

 Assim encerrei meu passeio que começou num dia chuvoso, e terminou com sol, histórias e novas amizades, voltando de um passeio no passado para um presente bem mais feliz.




Para saber mais siga: 

@rinaldoconti no instrgram, e Conti, uma história, no youtube.



sexta-feira, 28 de outubro de 2022

A TEORIA DO VIAJANTE CANSADO - RIO GRANDE /RS - 28 10 22

 


 
1- Ao acordar arrume a cama!

 Não sei quais são as suas prioridades ao acordar. Ir ao banheiro, escovar os dentes, abrir a janela, mas seja qual for a ordem das primeiras atividades do dia, entre elas arrume a sua cama.

2-A realidade.

 Algumas cidades tem poucos hoteis, e em algumas regiões não tem hotel algum. Dependendo de onde você se encontra ( ou se perde ) não vai encontrar nem mesmo um camping, talvez por algum tempo não encontre nem um ser humano por perto!

3-As possibilidades.

 Imagine você em uma viagem longa, cruzando horizontes desertos e absorvido pelas paisagens, imerso em pensamentos profundos, desfrutando das sensações e possibilidades que somente as longas viagens podem oferecer ao se humano. É algo incrível, e caso você ainda não tenha vivido esta experiência eu recomendo grandemente que a considere.

 Porém... Passadas as primeiras dez, onze horas de viagem, ainda que tudo resulte na mais profunda sensação de plenitude, realização e paz, seu corpo começará a enviar sinais de que as necessidades físicas exigem de atenção. Mesmo que tenha se organizado com a alimentação, hidratação e paradas para ir ao banheiro, assim que o sol se puser, depois de um dia de jornada, seus instintos mais primitivos começarão a guiá-lo para a busca de abrigo, um lugar protegido onde possa manter-se á salvo, aquecido e tranquilo para repor as energias. E os seus hábitos de ser humano moderno certamente vão começar a fazê-lo pensar em algo como: Um bom chuveiro, uma boa cama, quem sabe um ar condicionado, talvez uma roupa de cama macia e cheirosa, ou ainda uma boa conexão com a internet, e porque não um previsível e saboroso café da manhã para o dia seguinte...

 Hoje em dia é possível encontrar verdadeiros oasis no meio do nada, e também é bem possível não conseguir um quartinho de hotel qualquer em uma cidade grande, caso você não tenha uma reserva e a cidade por acaso esteja sediando algum evento, justo no dia em que você só queria um lugarzinho pra passar a noite.

 Ainda existem variáveis que podem ser surpreendentes, como encontrar uma ótima hospedagem por um preço módico de ocasião, ou pagar caro por uma acomodação ruim. Tudo é possível...

4-Hábitos saudáveis.

  Já li e ouvi muita coisa sobre hábitos saudáveis. Sobre arrumar a cama ao acordar existe muita coisa interessante, recomendo uma pesquisa, os assuntos vão desde aumento da produtividade até alguns lances mais profundos, realmente interessantes... No que se refere a "Teoria do Viajante Cansado" arrumar a cama pode ser uma questão de sobrevivencia, ou a diferença entre uma noite explêndida e uma periodo miserável sob o manto da escuridão.

5-A teoria.

 Já me hospedei em lugares incríveis, mas também já tive que aceitar lugares onde a roupa de cama evidentemente não havia sido trocada, e em alguns lugares onde se quer tinha roupa de cama. Já provei do impecável ao condenável no que se refere a hotelaria, embora meu orçamento e estilo de vida na maioria das vezes me conduzam para hospedagens na média. Também já dormi em onibus, carros, aviões, barcos e tres, rodoviárias e aeroportos, algumas vezes por opção e outras por falta de sorte ou planejamento.

  A teoria do viajante cansado surge de algumas ocasiões, onde cheguei em algum lugar sem ter reserva e tive que insistir para conseguir me hospedar. E não é que o anfitrião não quisesse hospedar um viajante evidentemente cansado, é que simplesmente os espaços disponíveis não estavam de acordo com os padrões do próprio anfitrião. Por sorte numa conversa eu acabava descobrindo que era simplesmente porque faltou roupa de cama, ou porque a tv ou o frigobar não estavam funcionando, ou ( e é aqui o ponto sensível ), porque havia faltado algum funcionário para o serviço de limpar e arrumar! E algumas vezes, na conversa e explicando que eu só precisava de um banheiro, um chuveiro e uma cama, e que não me importava de usar meu saco de dormir ( sim isso já aconteceu ), enfim eu acabava conseguindo resolver. Cheguei a dormir na sala da pousada de uma amiga, porque na ocasião estava nevando, não como não haviam mais vagas na cidade e eu provavelmente morreria congelado dentro do carro, ou passaria um belo perrengue.

 Enfim, você ser humano civilizado, que tem, ou terá o privilégio de empreender um viagem, seja ela qual for, independente do roteiro e do quanto esteja pagando pela sua hospedagem,  e independente  de onde se hospede, ao acordar arrume a cama! E não vai lhe custar nada também estender a toalha do banho e deixar as coisas minimamente organizadas... Primeiro porque você é um ser humano civilizado ( supomos ), segundo por respeito ao pessoal que trabalha arrumando as instalações para os próximos hóspedes, se você for legal com eles, eles serão ainda mais caprichosos com os próximos hóspedes e alguém certamente será mais legal e atencioso com você em breve, quando você menos esperar, e talvez quando você mais precisar. Acredite, tudo o que vai volta! 

 6- A teoria na prática.

 Enfim, a cama que você arrumou pela manhã, pode ser aquela que um viajante cansado aceitaria de bom grado sem trocar os lençóis, e o quarto que você deixou arrumado, pode ser aquele que o dono da pousada foi conferir e viu que rapidinho podia deixar pronto pra um viajante cansado... E lembra que comentei lá no início sobre os benefícios de arrumar a própria cama? Faça um teste.

 Espero que a teoria do viajante cansado tenha sido uma leitura agradável, e tenha ajudado você a refletir, adquirir, cultivar e incentivar novos e bons hábitos. E faço votos que você possa praticá-la e caso precise possa se beneficiar dela!

 Baita abraço! 

                                                                                                       Rinaldo Conti - QRA Bagual Véio 

sábado, 22 de outubro de 2022

LIVROS, CHUVA E CHIMARRÃO - 22 10 22

 
  Parte I - Coincidencias.

  Sem a pretensão de ser um historiador ou pesquisador gosto de ter uma noção dos lugares por onde ando, para saber, pra poder discutir e compartilhar ideias e informações com quem se interesse pelos mesmo lugares. Em cada lugar vou elencando meus cantos favoritos, entre eles sempre há algum refúgio silencioso para contemplar, ou um lugar onde possa me perder entre histórias e livros; em São Paulo é o "Sebo do Messias" que fica atrás da catedral da Sé, em Floripa é o "Sebo da Ivete" no centro antigo, em Porto Alegre é em algum sebo da rua Riachuello, e em Montevideo, por enquanto vai sendo na "Diomedes Libros", na Avenida España... Qualquer estante de livros já guarda suas peculiaridades e encantos, seja pela temática ou mesmo pela disposição, já as grandes livrarias são legais para se atualizar, mas entre os arquivos e sebos, onde os gritos e sussurros de fantasmas surgem tossindo empoeirados, onde jazem até as almas das traças entre as páginas corroídas da história, é ai o ambiente que mais me agrada, e onde acabo por coincidência encontrando o que gostaria de saber sobre os lugares por onde ando... O mais incrível nesses lugares é poder tropeçar em verdadeiras pérolas e coincidências, se é que elas existem. 

 Parte II - Pendências.

 O Uruguay tem 19 regiões administrativas chamadas de departamentos, que para nós brasileiros seriam os estados. Destes 07 deles eu ainda não conhecia, e entre outros objetivos desta viagem estava pelo menos cruzar estes 07 departamentos, tentando me localizar e saber um pouco mais sobre cada um. Por enquanto o que consegui foram 06, me faltando apenas "Tacuarembó", por onde não tenho certeza se já não estive em outras viagens, mas considero pendente, por enquanto. Como cruzei rápido os departamentos pude apenas notar além da geografia algumas diferenças aqui e ali, peculiaridades das rodovias (aqui chamadas de rutas), e terminei mais uma vez ficando com um gosto intrigante e apaixonado de revanche, de querer voltar e descobrir um pouco mais.
 De qualquer forma, as cidades que mais me interessava visitar eram Fray Bentos no departamento de Rio Negro, e Mercedes, no departamento de Soriano. Consegui cumprir com esta tarefa, e mais, acabei me apaixonando por Mercedes, de onde sai inconformado por não ter chegado antes, e por não ter tempo para ficar um pouco mais. Ficou pendente saber um pouco mais sobre os lugares por onde havia passado, e para onde planejo voltar.

 Parte III - Tarefas

 Cheguei em Montevideo precisando descansar, com um clima frio atípico para esta época do ano, e com o tempo virando pra chuva. Minha agenda já estava acertada para alguns compromissos durante a semana, mas a imagem de Mercedes e outras paragens do oeste uruguayo ainda era nítida no meu pensamento, de qualquer forma pesquisar mais a respeito ficaria para depois dos compromissos ou para o final de semana (este em que estou escrevendo, enquanto continua chovendo).
 Resolvidas as tarefas do primeiro dia fiz uma caminhada de volta para casa pela rambla, o que rendeu umas tomadas de vídeo (que se já não estiverem, em breve estarão no canal, confere lá... "Conti, Uma Historia", no youtube). Nos dias seguintes fui finalizando as tarefas com passeios em museus, igrejas ou pelas ruas da cidade, e eis que acabei parando na livraria "Diomedes"...

 Parte IV-  De volta as coincidências.
 
 Uma das razões desta viagem, entre outras mais nobres é a incerteza que paira sobre o Brasil por conta das eleições, assunto que talvez eu aborde com mais paciência em outro texto. Basta dizer que entre outras leituras, nos últimos meses andei lendo a nossa constituição, e "coincidentemente" ao cruzar por uma banca de livros por aqui, me chamou atenção uma edição de la "CONSTITUCION" de la Republica Oriental del Uruguay, a qual deixei solta sobre a banca assim que comecei a me perder pelos corredores da livraria, e eis que no mesmo instante em que pensei se encontraria por ali algo sobre a já querida Mercedes, acabei tropeçando ( literalmente em um exemplar da coleção, " LOS DEPARTAMENTOS ".



 Os primeiros dois exemplares que encontrei tratavam justamente de Rio Negro, onde está Fray Bentos e Soriano, onde está Mercedes.




 Os exemplares são de 1970 o que já os torna interessantíssimos para fins de comparação com o estado atual das coisas, e o mais interessante é que muita informações históricas disponíveis nos pontos turísticos destes locais ainda hoje, por tratarem de tempos ainda mais distantes continuam atualizados, é o caso da própria imigração, desenvolvimento do interior do país e seus momentos marcantes. 
 
 Parte V - De volta a constituição.



  Separados os meu livros, e feliz por tê-los encontrado, já ia fechando a conta quando me ocorreu de levar também " La Contitución" um exemplar oriundo do plebiscito de 27 de Novembro de 1966, aquele que havia me chamado a atenção para entrar na livraria. O preço já estava dado, seriam 100 pesos cada livro, e quando pedi para acrescentar a constituição a resposta foi um simpático: " No, no, este lo llevas como regalo", ou seja, saiu de presente.

 Parte VI - Conclusão.

 Coincidências ou não, consequências á parte, neste dia de chuva, de livros e de chimarrão, a conclusão destas linhas amarram as pontas de muitas outras coisas, histórias que vem de outros tempos, das minhas primeiras viagens por estas bandas e que vão sugerindo as viagens seguintes, aventuras e memórias, que eu compartilho com muito prazer lhes contando como gosto por aqui, em "Conti, uma história".

 Continua em...                                   YOUTUBE    e    INSTAGRAM

sábado, 15 de outubro de 2022

Dia de escrever - 15 10 22

 


" Viver é escrever histórias nas págias do tempo "

  Lembro que a frase acima na mesa de bar em Ushuaya, e isso já tem mais de vinte anos passados... Mas sigo fiel a esta frase, as vezes as histórias são faladas, outras vezes escritas, e nos últimos dias algumas tem sido filmadas. Inclusive, tem vído novo no canal, dá uma olhada lá: 


É verdade que muitas histórias, embora tenham sido vividas intensamente acabam por não serem compartilhadas , no sentido de não publicá-las, ou porque eu não as considerava bem acabadas, ou por uma série de outros porques que já não vem ao caso. 

O fato é que comecei a ouvir que deveria escrever, e passei a dar ouvidos quando alguém me fala isso.

 Acabou que eu precisava viajar, tirar uns dias de férias, e como as férias são para desfrutar, na lista das atividades constava: Não viajar com pressa, curtir a paisagem, parar onde der vontade e escrever, fotografar, filmar.

 Bueno, a estes objetivos eu precisaria somar algumas tarefas cotidianas como manter informadas as pessoas próximas e queridas, e portanto me pareceu boa a ideia de unir o util ao agradável compartilhando os registros desses dias. Então eis aqui materializado o blog, que não tem a pretensão de um formato disso ou daquilo, e é mais uma forma de avisar que estou vivo, e entreter aos desavisados com estas linhas editoriais tortas inspiradas que divindade que me cerca ( risos ).

  Ainda tem um perfil novo pra complementar o blog e o canal  publicar textos e fotos na mesma linha.   A vibe é a mesma mas os assuntos podem acabar variando, na dúvida, segue lá:  @conti.historias 

 Agora é preciso seguir, e viver para escrever! Hora de desconectar da internet, e conectar com a banda larga da estrada, sem pressa, com muito prazer, pra viver um pouco do lado de lá da divisa.

 Até a próxima linha, página, post, vídeo... Fui passear.

  


terça-feira, 11 de outubro de 2022

Dia dois - Ainda em Florianópolis...


  Não, isso não é um diário, nem é pra seguir uma ordem cronológica, alfabética ou lógica. Mas este é o final do dia dois.

  Eu já deveria estar cruzando a fronteira do país rumo ao sul, em qualquer lugar, a centenas de quilômetros daqui, mas sigo acampado na sala de casa, despachando burocracias como que escreve e assina a própria carta de alforria. E isso não é uma queixa e nenhum sacrifício, afinal fui eu mesmo que construí cada tijolo e cada grade das muralhas que me cercam. Mas esses dias de atraso para partir, essa lucidez prática sobre a escasez do tempo e o valor da liberdade, isso me deixa intrigado com o fato de ainda estar aqui.

 O que me salva o ânimo é o amor que tenho pelo meu simples e aconchegante lar. Mas é hora de partir! 

 Durmo quando tenho sono, como quando sinto fome, e de tempos em tempos a estrada me chama porque sou feito de horizontes, e é por isso que já deveria estar longe. Nada pode o homem contra a natureza, e menos ainda pode contra a própria essência.

Então partirei sem pressa, mas sem perder muito mais tempo, amanhã de dia, ou de madrugada, não sei a hora e nem o roteiro, mas o que eu sei é certeiro, o dia três será na estrada...

 Isso não é um diário, mas foi o registro do dia dois.

sábado, 8 de outubro de 2022

DIA UM - 08 10 2022.

                                           



    Em algum lugar da madrugada, enquanto deveria estar dormindo para acordar e trabalhar daqui a pouco, escrevo...

  Isso não é exatamente um recomeço, também não é a primeira vez, dizem que há uma primeira vez pra tudo na vida, e que a primeira vez a gente nunca esquece. No momento nao concordo com os ditados, não lembro a primeira vez que escrevi, só sei que naquele tempo tudo se resumia a papel e caneta, materiais rupestres nos dias de hoje. Agora sigo por instinto, sem a preocupação de desempoeirar ou polir demais as ideias, simplesmente apreciando o presente, seja ele feito de saudades que virão ou de expectativas que já passaram.

 E se eu tiver que contar os meus passos daqui até onde pretendo ir, basta dizer que hoje é o dia um, mais uma vez...

                                                                                                                             Rinaldo Conti:.