quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Retrospectiva do Blog - 10/10/2024

 Retrospectiva do Blog -  10/10/2024


Retrospectiva do Blog

Há dois anos e dois dias comecei a jornada de escrever aqui, e para alegria de alguns, continuarei escrevendo! No início, eu tinha apenas dois leitores: eu e uma amiga que me incentivou a começar. Lembro bem da alegria quando, pela primeira vez, um texto alcançou duzentos leitores. Em certo ponto, publicava dois textos por semana, e uma das maiores satisfações foi quando, ao falhar em publicar, recebi mensagens de leitores perguntando sobre o conteúdo.

Registrei minhas andanças, algumas viagens, pensamentos soltos e textos aleatórios. Era uma tarefa extra, não remunerada, mas que fui aprimorando ao longo do tempo e, apesar do esforço, me trouxe muito prazer.

Não demorou para aparecerem os julgamentos e, claro, as críticas vazias. Coisas do tipo: "Aposentou? Não trabalha mais, só escreve?"

"Pois é, os invejosos não querem o que você tem; querem que você não tenha."

Não importa se comecei a trabalhar na infância, saí de casa na adolescência, ou se passei a vida me dividindo entre dois ou três projetos ao mesmo tempo. Quem vive às custas dos outros sempre vai enxergar o resultado, mas nunca o esforço. E sempre vai ter alguém de espírito amargo para falar besteiras.

Em meio a essa trajetória, alguém que já me acompanhava no blog perguntou sobre minhas músicas. Foi aí que decidi abrir mais uma frente de trabalho: tirei do papel pelo menos uma canção. Fazia tanto tempo que eu não tocava que até das minhas próprias músicas tinha esquecido. Precisei reaprendê-las, e no meio desse processo, que também completou um ano, surgiu uma nova canção — a primeira que gravei.

Mais um projeto, correndo em paralelo com outros. Novamente, críticas estúpidas e comentários do tipo: "Só tocando? Não trabalha mais?". Como se fosse possível viver do Spotify (risos).

A vida, para mim, não é um cavalo indomável. Na verdade, minha vida é sensacional, mas cansei de não escrever sobre ela. Escrever textos e compor músicas é, no fim das contas, um exercício sobre o que sinto — para quem quiser se interessar. E só consegui fazer isso porque houve muito trabalho por trás para tornar tudo possível.

No desejo de dar o meu melhor, gravei quatro canções, lancei duas, e outras duas aguardam o momento certo. Mais quatro estão na fila. No entanto, justo quando lancei meu site oficial, minha produção de textos foi a zero por questões técnicas. O projeto do disco também travou.

No meio desse relato de um artista amador, fechei uma empresa que gerenciei por dois anos, em paralelo com outra que já funciona há mais de vinte. Continuei com essa última e alguns freelances, iniciei negócios fora do país e comecei novos projetos. Vendi meu apartamento na praia, construí uma casa, perdi uma amiga querida e também minha mãe. Não tive tempo para processar o luto, e, na tentativa de priorizar quem realmente importa, escrevi "Vento", uma canção sobre tempo de qualidade.

Enfim, por mais coices que receba dos cavalos que trato sem arreios e por mais absurdos que ouça de quem nada entende do que falo, seguirei escrevendo — mesmo que tenha apenas dois leitores. Seguirei compondo e gravando minhas canções, ainda que seja para tocar para uma só pessoa, como já fiz tantas vezes.

Este não é o meu estilo habitual de escrita, nem é o que busco, mas é o que precisava escrever agora. Em caso de dúvidas, críticas ou bobagens, costumo deixar um par de sapatos do lado de fora da porta de casa. Sinta-se à vontade para calçá-los, seguir meus passos e, só então, emitir sua opinião.

Em resumo, o blog continua, as músicas continuam, e eu continuarei também. A mesma essência, em melhoria contínua.

 Beijo no ombro.

 Att:.

sábado, 30 de março de 2024

Auf Wiedersehen - 30 03 2024


 O que poderia ser uma imperfeição na foto, passou a fazer todo o sentido.

 Na saída da cidade que é a porta de entrada para a serra, um até logo em alemão vai emoldurando a montanha mais alta da região. Em meio a arquitetura e natureza, uma placa digna de críticas sobre poluição visual aparece exatamente no meio do caminho.

 Mas não é assim mesmo a vida, com um ou outro detalhe de gosto duvidável no meio do caminho?

 A perfeição não existe, e a placa é apenas um detalhe na paisagem, ela não e maior que o pórtico e nunca será maior do que as montanhas, aliás, não é nem tão feia assim. E é assim a vida...
 
 A vida não é e nem será aquilo o que conaideramos um ato de perfeição. O que temos ao nosso alcance é a capacidade de perceber a beleza que existe em toda e qualquer coisa, sem medir, aumentar ou diminuir as coisas, e simplesmente contemplando tudo exatamente como é.

 Hoje foi um dia lindo e triste, ou triste e lindo, não houve perfeição apenas equilibrio.  

 Tudo pode ser mais ou menos, de acordo com a perspectiva do observador.

 Hoje foi dia de olhar para o céu, um lindo e azulado céu, do nascer ao por do sol. E tudo além disso são detalhes...

 Rinaldo Conti:.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Sonhos no asfalto 08 - 03 - 24


Sonhos no asfalto.


Calçamos os mesmos tênis, usamos as mesmas calças jeans, compartilhamos o mesmo silêncio, na mesma estrada, do início ao fim.


Eu olho pra estrada enquanto você dorme, a luz do dia some e as tuas tatuagens mergulham nas sombras da noite que nos abraça.


 No meu braço, do teu lado uma águia recém nascida se esconde debaixo do meu moletom.


 Fico imaginando o que tocou nos teus fones, antes que eles caíssem, ficando emoldurados pelos teus cabelos.


 Do meu lado, me pego sonhando acordado, ouvindo um country e pensando nas canções que pretendo escrever; para alguém como você ouvir durante uma viagem, e chegar mais rápido, ou curtir o caminho, talvez de olhos fechados.


Em algum lugar da BR101, rumo sul.


08/03/2004.


                                           Rinaldo Conti:.

quinta-feira, 7 de março de 2024

A águia e a borboleta. 07 03 24

 Em algum lugar na BR101, rumo ao norte, escrevo...

  A águia e a borboleta.

 Dizem que o bater de asas de uma borboleta em algum canto do planeta, pode criar um furacão lá do outro lado do mundo.

 Se for mesmo assim, imagino quantos tsunamis devem ter começado por ai, quando uma lágrima rolou do outro lado do globo.

  E nesses devaneios de ações e reações, refletindo as consequências do muito e do muito pouco, das tempestades que  as vezes fazemos em copos d'água, e dos apocalipses particulares que vivemos em doses homeopáticas, me peguei pensando:

 Se o bater de asas de uma borboleta pode mesmo criar um furacão, que consequências virão com o bater de asas de uma águia?

 As borboletas, passada a sua fase de larva, voam por aí embelezando o mundo durante sua vida curta; e é tão tranquilo o seu vôo quase desorientado e irregular, que fica difícil e intrigante acreditar que possam estar criando furacões do outro lado de um oceano.

 Já as águias, nasceram para expressar a beleza da natureza na sua forma mais agressiva! Voam alto, enxergam longe, e descem como um raio quando estão caçando. As águias são o ponto de equilíbrio na sua intensidade máxima.

 Também são mais longevas do que as borboletas, e neste ponto sua jornada se aproxima da caminhada de algumas vidas humanas. Lá pelas suas quarenta primaveras, diz a lenda, que as águias passam por uma metamorfose, com uma séria e dolorosa decisão a tomar: Para vivere por mais uns trinta anos a águia precisa voar para alguma escarpa, e lá onde as nuvens abraçam as montanhas, a águia arrebenta o próprio bico contra as pedras, com o novo bico que vai se regenerar ela arranca as velhas unhas, e com as novas unhas arranca as antigas penas.

  Nós, humanos, não somos tão diferentes. As vezes precisamos voar pra longe para aprendermos a lidar com o que nos tornará mais fortes. Só assim poderemos voar mais alto, por mais tempo, e saberemos lidar com os furacões pelo caminho, sejam eles o bater de asas de uma linda borboleta, de uma águia, das asas da liberdade ou outras turbulências.

 A natureza e a vida sempre foram assim, belas, intensas e muitas vezes indiferentes à nossa presença. 

A dor sempre fez parte dos processos de mudança e evolução. Então viva o melhor que puder, abra as suas asas, sonhe e voe alto, e quando as dores e turbulências forem inevitáveis, faça delas uma experiência que te tornará mais forte e permitirá ir ainda mais longe.

Bons vôos.

Rinaldo Conti:.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

LANÇAMENTO DO CLIPE DE POUCAS PALAVRAS!

 



 Não existe arte sem emoção, e a definição de arte é tão particular quanto tudo mais o que nos emociona!

 E é sempre emocionante voltar aqui, ao meu pequeno e velho blog, que segue firme na batalha enquanto o meu site oficial segue sua interminável saga de manutenções e ajustes.

 Mas vamos ao que está funcionando! Poucas Palavras, ganhando muito significado!
 
 Lançada em meados de Janeiro de 2024, Poucas Palavras, que está disponível em todas as plataformas de streaming, já ultrapassou as centenas de reproduções somente no Spotify. De forma totalmente orgânica. E já chegamos também nas ondas do rádio, em FM.

 Agora, no dia 09 de Fevereiro, as 21 horas, faremos o lançamento oficial do videoclipe no youtube.

 Como de costume, não poderia deixar de agradecer aos "poucos, mas fiéis" que tem me acompanhado ao longo deste ciclo. Obrigado!

 Espero que vocês se emocionem e curtam o clipe, deixo abaixo o link para que vocês possam se inscrever no meu canal e salvar o lançamento:   Poucas Palavras - Clipe Oficial

 Nos vemos por lá, ou pelos seus fones e autofalantes,  e pelas ondas do rádio!

 Valeu!
                                                                                                                  Rinaldo Conti:.
   

 

sábado, 27 de janeiro de 2024

O OUTRO LADO DA ARTE - 27 01 2024


 Uma postagem no tweeter as três da manhã diria tudo, ainda que não houvesse nada escrito. Mas havia...

 Estava sonhando com plantas quando acordei! 

 As luzes acesas,  janelas abertas... Cheguei  tão cansado ontem que desmaiei. 

 Acordei lembrando do sonho, abri o tweeter,  postei sobre as coisas como estão.

 A arte tem várias perspectivas, mas  duas são notáveis: O ponto de vista do artista, e o público do outro lado.
 
 Um cria, o outro aprecia. Os dois sentem a mesma energia de formas diferentes, até opostas as vezes.

 O produto acabado é consumido, reproduzido, e o processo reinicia com novidades.

 A vida muda, muda a rotina, o roteiro agora é outro e as esquinas virado encruzilhadas. 

 Quem sempre esteve junto segue firme; sonha junto, acha graça, e a gente acha um jeito pra fazer tudo funcionar. 

 Quem chega pra somar parece que sempre esteve por perto,  vem com tudo, chega junto, compra as brigas e compartilha os sorrisos.

 Não sei pra onde vai quem parte, só desejo boa viagem. Cada barco tem seu rumo, seu vento e o seu porto. 

 Não sei pra o de vamos nesse mundo louco de pernas para o ar, mas estamos indo rápido. 

Deste lado da arte, o artista é como um pára-raios durante a tempestade. Acordar escrever, lembrar e esquecer... Fazer acontecer! Se não for perfeito ao menos estará feito, estes também são artifícios da arte.

 Texto escrito, publicado, volto pra cama, sonhando acordado, e amanhã tem mais...

 Bons sonhos, seja do lado que for.







terça-feira, 9 de janeiro de 2024

02-VIVER AQUI - 08/01/2024


Você vai querer viver aqui...

Cada vez mais raro, e cada vez mais caro, o silêncio tem se tornado ítem de luxo. Afinal, ruídos e barulhos fazem parte da vida moderna, em quase todos os cantos do mundo, mas há quem prefira o contrário.

 Seja na Roma antiga ou nos dias de hoje, a migração de pessoas para os grandes centros fez com que além das cidades surgissem metrópoles. E não foram só as pessoas que foram para as cidades, mas as cidades foram abraçando o que antes era o interior...

 Quase sem perceber, as áreas que antes eram chácaras, sítios ou fazendas, que ficavam fora do perímetro urbano, foram se tornando loteamentos, condomínios e bairros. Das chácaras, sítios e fazendas ficaram apenas o nome em alguma placa de rua.

 Lugares antes desertos hoje tem tudo por perto, comercio, serviço, pessoas e tudo o que for preciso. Naturalmente, haverá menos silêncio nesses lugares.
 
 Não se pode ter tudo, e não se pode ter tudo sozinho. Todas essas facilidades exigem uma estrutura, a estrutura exige pavimentação, água, saneamento, energia elétrica. Isso tudo exige mão de obra, e essa mão de obra precisa morar, e circular em algum lugar. 

 O movimento necessário para edificar isso tudo gera ruído e barulho. E para quem se cansou, ou nunca esteve acostumado com isso, o silêncio passa a ter um valor ainda maior. 

 O sentimento oposto a valorização do silêncio é totalmente legítimo e verdadeiro. Para quem nasceu e viveu em áreas remotas, ou menos povoadas, em lugares onde o tempo parece ter parado, para quem sempre esteve ansioso aguardando por um progresso que parecia nunca chegar, para essas pessoas as cidades com os seus shoppings, ruas e avenidas cheias de gente podem ser um lugar muito agradável. É como o turista que estando de férias em uma cidade do litoral não se importa de ficar no trânsito por duas horas para ir até a praia, e mais duas horas para voltar pra casa. E é aí que está a questão.

  Ver o céu estrelado porque existe pouca iluminação noturna nas ruas, ouvir os pássaros porque não há ruído na volta, sentir o vento e a temperatura mudando rápido porque não há tantos prédios e tanto asfalto retendo o calor do dia, não é e nem precisa ser algo que agrade a todo mundo. São coisas que tem se tornado mais escassas, mas que de fato não fazem falta para quem gosta do ambiente urbano.

 Seja em um apartamento no centro da capital, na beira da praia, ou em um refúgio na montanha, o que define a satisfação e o apego que sentimos pelos lugares que visitamos são outros fatores.

 Quem nunca pensou que viveria no lugar onde está passando as férias? Pode ser no centro de Paris ou mesmo de São Paulo, pode ser em um resort de praia em Floripa ou em uma casa de campo na serra.

 A verdade é que não são só os lugares e suas características, nem é só a conexão com o ritmo ou estilo de vida que define como nos relacionamos com esses lugares. É principalmente como estamos nos sentindo que cria estes laços e conexões.

  Estar de férias significa que você cumpriu etapas, se planejou, se organizou, e agora terá a sua recompensa! A sensação de dever cumprido e recompensa é ótima, e estar de férias também significa dispor do próprio tempo como bem entender, dormir e acordar conforme o ritmo do proprio corpo e não conforme o despertador, provar comidas e bebidas diferentes sem horários definidos, e mais uma série de liberdades, que normalmente não fazem parte do dia a dia fora do período de férias. 

 E é claro que também existem as pessoas que não tiram férias por infinitos motivos, inclusive porque estão satisfeitas com as suas rotinas e lhes basta um final de semana para descansar. Tudo certo.

 Acho que você já entendeu onde estou querendo chegar, né? Não é na cidade e nem no campo, nem na praia e nem na montanha que queremos morar quando sentimos vontade de mudar...

 O que queremos é viver nas férias! Na sensação de liberdade, no silêncio e na tranquilidade ou no agito ruidoso. Queremos mudar e poder escolher.

 Da minha parte prefiro o silêncio do interior durante a semana, trabalhando remoto, e o final de semana na cidade.

 Seja qual for a sua preferência, quando você pensar que gostaria de mudar, antes de começar a olhar os anúncios de imóveis, pense um pouco, se você vai querer morar em um lugar onde passou férias, ou se o que você quer mesmo é "morar nas férias."

  Quando você encontrar o estilo de vida e o lugar certo, não tenho dúvidas de que vai pensar que é exatamente ali onde você quer viver.

                                                                                                                                      Rinaldo Conti.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

01- PERSPECTIVAS - 2024


 O assunto é universal, mas as conclusões são particulares. O primeiro dia do ano sempre tem a ver com metas, objetivos, perspectivas, mas também é igualzinho ao último. Aliás, já fez sua retrospectiva e seus planos para 2024?

 A perspectiva depende da retrospectiva, de olhar para trás para os erros e acertos, fazer correções e ajustes no planejamento, e finalmente seguir melhorando o que já deu certo. Eis um modelo que rende bons resultados, embora a capacidade de improvisar também seja um ítem importante em qualquer jornada. Por aqui vamos planejando os trechos longos, e reservando o improviso para os imprevistos.

  Sem entregar o ouro, e nem esconder o jogo, é mais uma jogada de interpretação. O lance é compartilhar os trilhos, e cada um que toque seu trem.
 
 Nenhuma rota serve para quem não se move na direção dos próprios objetivos, então o lance é manter o movimento no sentido desejado, não mexer no time que está ganhando, investir no que multiplica, se livrar do que não agrega, aliviar da bagagem o que já não faz sentido, e assim seguir em frente mais leve, curtindo a jornada, pois até os caminhos conhecidos podem nos trazer surpresas agradáveis. 

 Retrospectiva avaliada, perspectivas definidas, time fechado e peso aliviado; é hora de pegar a estrada. 

 Sem metáforas, falo mesmo de devorar terra e asfalto, cruzar fronteiras em duas rodas, quatro patas, duas pernas ou quatro rodas tracionadas, ouvindo e compondo canções, lendo e escrevendo histórias, navegando em águas e poesias, voando alto em melodias ou nas asas de um avião.

 Satisfação, felicidade, amizade e prazer são objetivos que não se mede, e ainda assim são os melhores indicadores de sucesso ao longo de uma vida bem vivida.

 Se você já fez os seus planos, sucesso! Se não fez ainda, bom planejamento. Se não fará, boa sorte...

 Nos vemos por aí nas curvas de 2024, em algum pôr-do-sol que vai ficar pelo retrovisor, numa fotografia, nas telas em algum texto, em fones ou alto falantes, em alguma canção, ou olhando nos olhos.

 Por aqui, e por aí deixarei pegadas. 

 Por enquanto, boa caminhada!

                                                                                                                               Rinaldo Conti:.