No meio do caminho tropecei em uma pérola e caí numa máquina do tempo...
Havia chovido a noite e também pela manhã, alguns papéis tinham molhado dentro da mochila, e minha jaqueta também estava pingando, então resolvi que minha recompensa pelo sacrifício da manhã seria almoçar no mercado de carnes e comer um belo churrasco, e assim eu fiz sem a menor expectativa quanto ao restante do dia.
Fazia alguns meses que eu não bebia nada de alcool, mas como estava me deslocando de ônibus, tinha acabado meu expediente, e estava em um moneto de indulgencias, me permiti também tomar uma cerveja para acompanhar o churrasco. Um belo bife grelhado na lenha, e uma cerveja sem pressa fora tudo o que eu precisava para diminuir a velocidade e voltar do mercado para o centro ainda mais contemplativo do que já sou por natureza. Embora soubesse bem o caminho, como não tinha pressa me permiti guiar pelas arquiteturas que fossem mais agradáveis aos olhos, e foi assim que acabei chegando na Plaza Zabala. As nuvens havian se dissipado e embora a praça e o entorno estivesse muito bonitos numa combinação de contrastes de luz, me chamou a atenção o casarão do outro lado da praça, naquele momento eu havia descoberto o Palacio Taranco, e estava prestes a dar um mergulho na história e um passeio no tempo...
Quase que por acaso eu já havia visitado outros museus, em todos a entrada era franca e sempre havia alguém para recepcionar e dar informações úteis, relevantes e muito interessantes, no Palacio Taranco, qeu abriga o Museu de Artes decorativas não seria diferente, porém a infinidade de detalhes para aprecisar, e a ausência de outros visitantes me permitiram literalmente uma viagem no tempo! Das primeiras informações que recebi na entrada, as explicações nos painéis e murais nos demais ambientes, tudo ia corroborando par a imersão, mas a ausência de outras pessoas, o silêncio das ruas e o cantar dos pássaros no jardim criavam uma atmosfera hipnótica, a opulência dos ambientes e o ar de palácio antigo também sucitavam sensações diversas, entre a curiosidade e o suspense.

Os ambientes realmente permitem se perder brevemente, e mais de uma vez se confundir no mar de portas que interligam todos os cômodos. Eu pensava sobre a privacidade que não deveria existir com aquele tanto de portas, em uma casa onde viveram ( se não me engano) nove crianças, um casal, mais dois adultos e também todos os funcionários que faziam funcionar o palácio, além das visitas constantes. E além disso, a imaginação certamente atravesava as portas que estavam fechadas á visitação fazendo imaginar quantos cômodos mais existiriam por ali, e passagens secretas e aquelas coisas todas que se imagina de construções deste estilo e desta época. Isso me fazia pensar também na possibilidade de ser observado, além das câmeras de vigilância, por habitantes de outras dimensões, sensações que só este tipo de ambiente são capazes de provocar.

Enfim, registradas estas impressões, que afinal é a proposta do blog, pois as informações de ordem mais prática ficam por conta do canal no youtube e do perfil no instagram, aqui reservo para meus devaneios espirituais e textuais...
Mas, aproveito para comentar sobre alguns dado interessantes, entre eles a origem do Palácio que foi construido entre 1908 e 1910, sobre as ruínas do primeiro teatro de Montevideo, a Casa de Comedias, que datava de 1793.
No palácio estiveram figuras importantes do período histórico, como o Papa, e o principe da Inglarterra, além de diversar outras figuras notáveis em momentos importantes.
O museu além de conservar fielmente os ambiente na planta térrea, e de abrigar diversas coleções na planta superior, como pinturas e as próprias lâminas dos projetos do palácio, algumas em aquarela, também conta com uma exposição arqueológica incrível no subsolo, com artefatos gregos e egípcios datados de mais de 3500 anos!
Além de toda riqueza histórica e cultural, o Museu de Artes Decorativas conta também com a excepcional atenção da equipe que além da educaçao típica do povo uruguayo são muito atenciosos. Este passeio que começou pelos séculos passados e cruzou pelos milênios no subsolo, terminou com uma aula de história, e também pela percepção agradável e feliz de encontrar pessoas que além de ter orgulho da sua própria história senten-se felizes por compartilhá-la.
Assim encerrei meu passeio que começou num dia chuvoso, e terminou com sol, histórias e novas amizades, voltando de um passeio no passado para um presente bem mais feliz.
Para saber mais siga:
@rinaldoconti no instrgram, e Conti, uma história, no youtube.