segunda-feira, 29 de junho de 2026

UM SITE NOVO, E O BLOG VELHO DE GUERRA

 
 



 Em resposta a quém tem perguntado: 

 E o site, e o blog, e as músicas?

Em outubro completa quatro anos desde que comecei a escrever por aqui. Este blog foi a origem de tudo o que hoje se traduz na minha produção artística.

Ao longo desse tempo publiquei relatos de viagem, crônicas do cotidiano, reflexões e outros registros. 

Na tentativa de dar mais ritmo a esse trabalho, registrei um domínio e esbocei projetos para um site. Mais de uma vez investi tempo e algum dinheiro para ter um espaço onde pudesse publicar meus conteúdos, oferecendo aos "poucos, porém fiéis" amigos e leitores um lugar onde tudo estivesse reunido de forma clara e organizada.

 Contratei freelancers para botar o bendito site no ar, mas essa tarefa se mostrou mais difícil do que produzir o próprio conteúdo.

 Não sei como é em outros países, mas no Brasil minha experiência quase sempre foi a mesma: Alguém aponta defeitos no que já funciona, apresenta propostas que até fazem sentido, mas, no fim, nada acontece. Perdi tempo e dinheiro em reuniões que nunca entregaram algo melhor ou mais funcional do que o bom e velho blog.

 Produzir arte de forma independente tem dessas coisas. O tempo dedicado à criação é o mesmo que poderia ser investido em algo financeiramente mais rentável. Hoje costumo pensar que a arte é um buraco negro onde despejamos tempo, energia e dinheiro. E curiosamente, por alguma razão que a psicanálise talvez explique melhor do que eu, existe certo prazer ou necessidade nesse processo.

 Fato é que o velho blog continua firme. Sem monetização, sem patrocínio e sem grandes pretensões, sempre pronto para registrar momentos de inspiração, reflexões e algumas conclusões sobre essa história intrigante e fascinante que chamamos de vida.

 Quando olho as estatísticas, encontro um novo ânimo. Continuo escrevendo apenas por prazer e sem grandes expectativas, mas os acessos continuam "poucos, porém fiéis..." E isso me faz acreditar que, de alguma forma, a mensagem continua chegando a quem precisa chegar, e escrever continua valendo a pena.

 Hoje aproveito para compartilhar a nova versão do site, agora no domínio oficial www.rinaldoconti.com. Mas desta vez resolvi colocá-lo no ar por conta própria e, parece que está funcionando.

Como homenagem ao velho blog de guerra, o site tem suas novidades, mas também traz o leitor exatamente para cá: O lugar onde tudo começou, e onde tudo continua.

Sigo trabalhando sozinho, guiado pela filosofia de que o feito vale mais do que o perfeito, e  bem melhor sozinho do que mal acompanhado. 

 Então, aos poucos, porém fiéis e sempre qualificados leitores.

Obrigado pela companhia.

Até o próximo capítulo.

Rinaldo Conti

sexta-feira, 12 de junho de 2026

NH3 - 11 06 26


     NH₃

 Eu deveria decorar seus átomos e moléculas, sua composição e decomposição. 

 Adoraria decorar minha parede com um retrato seu; mas a verdade é que eu te odeio, como odeio ser obrigado a qualquer coisa, sobretudo a decorar, e então o que fica de ti não é lembrança, é impregnação.

 

 Hoje, o que eu sei de ti é tão útil quanto aquilo que eu já sabia antes. Eu te odeio e você fede, amônia...


                                                                            -  -  -  *  -  -  - 

quarta-feira, 10 de junho de 2026

O SILÊNCIO E A ARTE DE FALAR SOZINHO - 10 06 2026

    

O Silêncio e a Arte de Falar Sozinho

Andando pela rua, num dia pouco ruidoso, estava pensando sobre artes quando percebi duas pessoas discutindo. Falavam tão alto que não tinha como não ouvi-las. Andaram alguns metros à minha frente e iam na mesma direção, mas, a cada pouco, um deles parava de andar e continuava falando. Enquanto falavam e se atrasavam, e enquanto eu os ultrapassava, me peguei pensando em quantas vezes perdi tempo e energia na minha vida discutindo, ou mesmo tentando apenas conversar com pessoas com as quais eu não tinha mesmo assunto, ou que simplesmente não queriam me ouvir...

Obviamente, a gente sabe que está falando sozinho quando ouvimos somente a nossa própria voz. Mas também é possível, e eu não sei o que é pior, perceber que estamos falando sozinhos quando bate aquela sensação de desperdício de tempo, de energia e de ânimo, e acabamos completando frases pela mera obrigação de sermos, minimamente, educados.

Falar sozinho não é agradável, é difícil de aceitar, é chato de perceber, mas dá para saber.

E insistir é pior, porque:

"Ninguém é obrigado a ouvir o que você tem pra dizer."

Falar sozinho é como ver palavras e sentimentos serem lançados num precipício, onde a energia também despenca e se perde.

Falar com outra pessoa e ter a sensação de falar sozinho é como jogar fora um tempo que podia até ser desperdiçado com alguma coisa mais útil, ao menos prazerosa, sem se sentir mal.

Quem não estiver a fim não vai ouvir, não vai entender, e não vai querer saber. E tem todo o direito.

Cabe a quem fala entender com quem deveria gastar a sua saliva e o seu vocabulário, investir ou desperdiçar seu tempo e energia.

Quem não quiser ouvir, vai apenas esperar, se é que vai esperar, para falar.

Não vai entender nem o texto, nem o contexto e muito menos os argumentos.

E continuará tendo todo o direito de fazê-lo...

Quem percebe que está perdendo seu tempo também pode simplesmente parar de falar, sem a necessidade de se explicar, e tem todo o direito de fazê-lo. Reciprocidade e bom senso tendem a andar próximos, se não juntos.

Conversar, discutir, debater e argumentar são habilidades que podem ser aprimoradas e aprendidas, e deveriam ser exercidas. Hoje em dia tenho ouvido falar muito em escuta ativa, inclusive. Falar é da natureza humana, assim como a necessidade de socializar.

Nesta altura do raciocínio, eu já estava tão à frente que não ouvia mais as pessoas que discutiam, mas ainda ouvia os meus pensamentos me lembrando de todas as vezes em que perdi tempo na minha vida tentando falar com quem não queria ouvir.

Também lembrei de muitas coisas que ouvi, sem o menor interesse, apenas por educação, só pra me dar conta do quanto é doce o silêncio, muitas vezes.

Vou chegando, então, à silenciosa conclusão de que:

É tão importante saber a hora de calar quanto é importante saber a hora de parar de ouvir.

Sem se sentir mal, mas sem se importar demais também.

Consciente apenas de que existe uma arte que precisa ser aprimorada.

A arte de falar sozinho.

Silenciosamente,

                                                    Rinaldo Conti:.