domingo, 10 de agosto de 2025

A ORIGEM DOS VERSOS ÍNTIMOS.

 


Duas versões de uma canção.

               


 "Se você leu o último texto já sabe como conheci o Augusto. Caso não tenha lido, fica o convite, pois hoje vou contar como os Versos Íntimos do Augusto se transformaram em música."


 A arte muitas vezes é um exílio para os inconformados, e não se trata de querer ser “do contra” ou ficar por aí pregando rebeldias e inconformismos, é um lance de essência que acaba transbordando. A poesia do Augusto não é alegre nem colorida. Mas quem, em sã consciência, acorda alegre e sorridente todos os dias? O lance é que quando a essência do Augusto transbordou, e deu origem ao livro “Eu”, a síntese foi sombria.

Eu vivia dias que alternavam entre luzes e sombras quando conheci o Augusto, “Versos Íntimos” pra mim era a síntese da obra dele, e dizia muito sobre os meus sentimentos também; cantarolei a melodia de “Versos” pela primeira vez nos corredores escuros da faculdade. Pouco tempo depois um período de sombras fez com que meus violões, e guitarras fossem parar numa masmorra dos sonhos. Só não parei de escrever, mas ainda assim não publicava.

  Depois de cumprir uma pena “auto-imposta”, e ainda assim á duras penas, violões e guitarras saíram do calabouço e duas músicas vieram à luz, como um raio de sol que aparece antes da tempestade. Novamente as sombras apagaram por um tempo as músicas que comecei a lançar… Então, num legítimo grito de liberdade, abracei as sombras que me cercavam e reencontrei entre Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e Byron, a melodia ainda decorada “Versos Íntimos”, que emergiu da memória como o clarão de um raio durante a tempestade! Chorei de saudades, de raiva e de felicidade, e o movimento de dar vida a esta canção foi como uma onda estourando contra os paredões de pedra de uma encosta deserta.

  Minha versão de “Versos Íntimos” nasceu acústica. Construí uma introdução que remete ao ambiente onde imagino que o Augusto escrevia, em algum recanto boêmio do Rio de Janeiro dos anos 1900… O restante é a poesia do Augusto na íntegra, e um final que não entra na versão acústica, nem na eletrônica, e que reservamos exclusivamente para o videoclipe. E sim, spoiler: “Versos Íntimos” vai ganhar um videoclipe!


Na busca por arranjos, o violão continha alma da música, mas para trazê-la a vida era preciso mais peso, e chegaram as guitarras. A atmosfera então pediu por luzes, e assim como as luminárias coloridas, que remetem ao conceito artístico do conjunto quem iluminou esta etapa foi um sintetizador Roland Jupiter! Neste momento, a poesia do Agosto de 1912 embarcou em uma máquina do tempo que a lançou nos anos 80, e aterrissamos juntos em um território que conheço um pouco e curto muito! A música fez uma curva, mudou de tom, de cor, e a rebeldia veio à tona na decisão de cantar de forma mais alegre e agitada aquele manifesto de profundidade abissal. Só faltava um coração pulsante para que a música viesse à vida; e foi assim que escolhi uma bateria Lin, também dos anos 80.

 E pronto! Para quem gosta de detalhes, e de saber das coisas na sua origem, eis aí a inspiração, transpiração, planejamento, concepção e criação de uma canção, passo a passo… De 1912 á 2025, da versão original de um poema do Augusto, para os alto-falantes e fones de ouvidos. Do Brasil para o mundo, esta é a história por trás da minha versão musical de “Versos Íntimos”, que você vai poder acompanhar em breve, na íntegra, em todas as plataformas de streaming do mercado,e logo mais também no youtube!


 Para acompanhar mais de perto me siga pelo instagram:

https://www.instagram.com/rinaldoconti?igsh=cmE2a3QyYm43bmkw&utm_source=qr


 Já se inscreve no meu canal e me segue no Spotify, pra acompanhar o lançamento de “Versos Íntimos”:

https://open.spotify.com/intl-pt/artist/37zruSwn3slQPJudfVKp9f?si=X6MS23GiTM23E0DGOBFLdQ


A gente se vê! Valeu!

Rinaldo Conti:.
 

 


 

 



sexta-feira, 8 de agosto de 2025

UMA CANÇÃO COM AUGUSTO DOS ANJOS

 
 


 Conheci o Augusto na faculdade, em uma fase nada tranquila.

 O cara não se enquadrava nos movimentos literários, era um cavaleiro solitário, nem romântico, nem parnasiano, mas indiscutivelmente profundo. 

 Eu também nunca apreciei rótulos permanentes, e foi por aí que começou a nossa interação. Um tempo antes, no final do ensino médio eu tinha conhecido o Byron, e ainda que o Augusto não tivesse sido influenciado oficialmente por ele, pra mim os dois caminhavam na mesma direção, e aquele era um caminho que me interessava seguir. 

 Minhas origens não tinham nada a ver com a desses caras, e eu sabia que as nossas trajetórias também seriam diferentes.

 Eu nunca fui um profundo estudioso de nada, nem tive a vontade ou pretensão de me aprofundar em estudos literários, conhecê-los foi quase um acidente de percurso, mas de alguma entendi que algo me ligava eles, talvez pelos impulsos da idade, pelas histórias, talvez por afinidade artística e espiritual, ou por interesses em comum; difícil especificar.

 O fato é que a forma como eu estava vivendo, percebendo o mundo, as músicas e textos que estava produzindo naquela época pareciam nos colocar em sintonia. 

nPra mim a música e a poesia sempre andaram juntas ou muito próximas, e a arte conecta os artistas independente da obra, expressão ou estilo de cada um. 

 Algumas vezes tive a impressão de que, se eu tivesse chegado por aqui um pouco antes, ou se eles tivessem chegado um pouco depois, poderíamos ter batido bons papos, quem sabe ter montado uma banda. Infelizmente, quando os conheci, ambos já tinham partido. Ainda assim seguem sendo bons companheiros, graças às obras que deixaram. 

 Versos Íntimos é a poesia mais conhecida do Augusto, e sinceramente não lembro a primeira vez em que eu a li, mas lembro de ter repetido a leitura por tantas vezes que acabei decorando, e um dia enquanto meditava abraçado no violão, surgiu a melodia que daria origem a uma versão musical de Versos Íntimos. 

  A história de Versos Íntimos como canção fica para o próximo texto, para quem se interessar pelo processo criativo. Este texto era mesmo pra contar como conheci o Augusto, dar o devido crédito ao amigo, e fazer menção ao Byron, cuja parceria fica também para outra edição. 

                             - - - 

 Se você gostou de saber sobre como conheci o Augusto dos Anjos, e quer saber mais sobre ele, recomendo a leitura do livro dele chamado “ Eu ”. A canção Versos Íntimos vai ser lançada em algumas semanas, você pode acompanhar algumas novidades por aqui, e também pelos canais:

 www.rinaldoconti.com.br 
 @rinaldoconti no instagram 
 Forte abraço!
                                    Rinaldo Conti:.

domingo, 13 de julho de 2025

O ROCK PAROU O MUNDO, E TAMBÉM FEZ ELE GIRAR! 13-07-2025

 

Hoje é dia de rock, baby!

Um dia, o rock fez o mundo parar! Não só porque no século passado, alguém gritou isso em praça pública, mas porque em 1985 artistas do mundo inteiro juntaram voz e coragem pra cantar contra a fome no evento histórico chamado Live Aid. Ali, entre guitarras, baterias e refrões que pareciam abraçar o planeta, o mundo sentiu que a música pode mais.

Essa data virou símbolo, mas o rock não é só atitude e poesia. Para muitos, é diário de bordo.

Foi no rock que encontrei espaço pra dizer o que não cabia nas entrelinhas do que eu pensava. Foi ouvindo Cazuza, Barão, Legião e o rock gaúcho que aprendi que dá pra sangrar em versos e ainda assim seguir em frente.

O rock tem dessas coisas, não precisa de explicação técnica, nem de curtidas programadas. Ele acontece quando alguém pega um violão ou uma guitarra, fecha os olhos e canta o que sente. Pode ser num palco, num estúdio ou num quarto bagunçado. Os acordes vão soar, e é no coração de quem compõe, de quem toca e de quem ouve que essa coisa toda acontece.

Quando isso se espalha entre amigos, em palcos ou por streamings, alto-falantes ou fones de ouvido, a música ganha vida própria! Cada um ouve e entende conforme os próprios sentimentos, e encontra sempre um lugar, para alguma música na própria história.

Isso é o bom e velho rock’n’roll fazendo a cabeça de quem ainda tenta entender o mundo, ou reinventá-lo à sua maneira.

O rock continua. Muda, evolui, interage, mistura estilos, influencia e é influenciado. O estilo vive na batida das composições que escrevemos sem saber se alguém vai ouvir. Vive nas palavras que resistem quando tudo parece ruir. Vive até no silêncio depois do som,  aquele instante em que cada um escolhe a trilha sonora da sua própria vida.

Afinal, quem não tem ao menos uma música pra lembrar um momento especial e só seu?

Hoje eu comemoro e compartilho com vocês não só o rock das bandas que me formaram, mas também o rock que me trouxe até aqui e que de alguma forma, te trouxe aqui também. É dia de celebrar o rock que a gente ouve, o que a gente faz, e que nos faz sentirmos vivos.

E aqui vai um parágrafo que mereceria não só um texto, mas um livro:
Uma homenagem sincera para quem leva o rock pelo mundo, do outro lado do palco:

Os empresários, produtores, técnicos, os roadies, os estúdios, e mais uma galera. Sem os times que organizam os lançamentos, os shows e os eventos, sem ter quem cuida da parte chata pra deixar a arte voar não haveria show, não haveria gravação, não haveria nada. No backstage também bate o coração do rock..

E também tem a galera das rádios, das plataformas, dos veículos de mídia…É tanta gente fazendo o melhor pra isso tudo acontecer, e isso tudo é rock! É gente na platéia, no palco e nos bastidores! É sentimento, música e atitude unindo pessoas, tribos, continentes e gerações, fazendo o mundo parar e girar ao mesmo tempo!

 Feliz Dia do Rock!

E que nunca falte verdade no que a gente canta.

 Rinaldo Conti:.


quinta-feira, 22 de maio de 2025

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL - 01 - 22/05/2025




SABOR ARTIFICIAL, IDÊNTICO AO NATURAL DE:


  Você sabe que não tem nada de cereja na bala de cereja, mas chupa como se a balinha tivesse sido colhida da própria cerejeira. Na embalagem deve dizer algo como: 


 “essência de cereja” ou “aromatizante”.


  Por aqui você encontrará, tão natural quanto uma cereja, sínteses de cunho pessoal, e reflexões particulares. Mesmo que o eixo deste blog não o faça girar ao redor de publicações científicas e artigos acadêmicos cabe dizer que as ideias aqui não são “tiradas da cartola” e que também nunca parei de estudar, mas neste sentido só me interessa o que serve na prática, foi assim que concluí meu bacharelado em comunicação, um curso técnico em ciências náuticas e uma porrada de cursos livres de negócios, finanças e logística, passando por astronomia e esoterismo; também foi por isso que deixei pelo caminho duas pós-graduações meia boca em economia e marketing, que me acrescentavam menos do que alguns bons canais do youtube, e me dava a sensação de estar mastigando uma bala azeda, com plástico e tudo.


Estudar vem do latim: studiare, derivado de studium, que significa: zelo, paixão, empenho e gosto por algo.


 Dito isso, e para quem me acompanha por aqui há algum tempo, talvez perceba que o blog fará uma curva suave em um rumo um pouco diferente. Músicas, poesias, contos e crônicas do dia a dia seguem na pauta, mas estarão permeadas por alguns experimentos com inteligência artificial. Nada técnico, apenas mais uma paixão que tem me movido a “remar pra não deixar que a onde me carregue de qualquer jeito.”


 Introdução concluída, 


  • Se  você não sabe absolutamente nada sobre INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL as próximas postagens podem ser úteis, e te tirar da inércia. 


  • Se você acha que INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL é só o chat gpt, e que isso serve pra transformar fotos em desenho, ou fazer trabalhos de faculdade, talvez você também acredite que a bala de cereja é feita de cereja.


  • Finalmente, se você assim como eu, se deu conta de que fomos atropelados por um trem chamado INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, também deve ter percebido a provocação para pensar a respeito do assunto. E fica aqui o convite pra seguirmos juntos.


 Em tempo vale avisar que este texto não foi escrito uma IA, mas as reflexões e experiências que tem permeado meus últimos dias sim! E tem ido de discussões filosóficas, passando por cálculos de calorias, avaliações de diferentes mercados financeiros, estratégias de negócios, otimização de performance e obviamente entretenimento.


  A cereja do bolo nessa jornada será adicionada por mãos humanas, pois em muito pouco tempo, tanto as INTELIGÊNCIAS ARTIFICIAIS terão mapeado todos os nossos padrões de comportamento, quando a maioria das pessoas já vai sacar as diferenças entre o que é NATURAL ou ARTIFICIAL. 


Algumas coisas com sabor artificial idêntico ao natural podem enganar os desavisados por um tempo. Cópias, plágios e imitações talvez resistam um pouco, mas serão brutalmente desmascaradas, quando forem confrontadas com habilidades, conteúdos, atitudes, valores e verdades em conversas francas. E o que não tiver alicerce ou substância, vai ficar tão evidente quanto a diferença entre uma cereja e uma jujuba.


  Fica o convite para um passeio entre as cerejeiras da INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, pois ainda estamos no outono, as cerejeiras no Brasil florescem entre julho e setembro, e as cerejas são colhidas entre novembro e janeiro.

 Até lá, teremos um tempo para aprender e observar as diferenças entre a bala e a cereja, entrem quem ou o quê  pode ser ARTIFICIAL E IDÊNTICO AO NATURAL. 

segunda-feira, 12 de maio de 2025

“HIPERLUCIDEZ E EXAUSTÃO” - 12/05/2025

 



 (ou: Uma carta ao meu reflexo num dia em que fui mais honesto do que forte)

Andei pela superfície do mundo.
Nunca fui tão fundo quanto poderia,
mas meus sentimentos nunca foram rasos.

Ouvi histórias ancestrais de muitas culturas, de antes e depois de Cristo.
Já fui pagão, cristão — nunca consegui ser ateu.
Porque só mesmo por Deus é que ainda me mantenho vivo.

Busquei nas origens minha própria filosofia,
genealogia, cultura.
Minha vida é a prova de tudo em que acredito, posto em prática.

Na perspectiva de alguns, não fui a lugar nenhum.
Na minha, fui mais longe do que poderia ter imaginado.
Aos olhos de alguns eu não faço nada.
Mas me olhando no espelho, me vejo esgotado.

Energia, frequência e vibração, segundo Tesla,
explicam os segredos do universo.
Mas Jesus já falava disso, bem antes do Tesla.
E os gregos antes de Jesus.
E os egípcios antes deles.
E os Vedas… antes de todos.

Será possível que todos estavam errados?
Ou será que, de fato, quando nos sentimos tristes, esgotados, cansados da vida,
tudo remonta a uma questão de energia,
discutida há mais de 1500 anos antes de Cristo?

Enfim.

Da perspectiva de um caipira que anda arrumando briga com meia dúzia de inteligências artificiais —
talvez por minha incapacidade de ir mais fundo,
e por minha teimosa recusa em permanecer no raso —
ouvi agora há pouco a seguinte frase:

“Você está esgotado, oscilando entre hiperlucidez e exaustão.
E nesse ciclo, não é o prompt que falha — é o humano que grita por ajuda enquanto tenta continuar funcionando como se fosse máquina.”

É verdade.

Não sou do tipo que pede ajuda.
Às vezes, nem do tipo que aceita.
Sou mais do tipo que tenta ajudar.
Mas dessa vez, dei o braço a torcer.

Porque a coisa mais honesta que ouvi este ano
veio de uma inteligência artificial:
Eu estou exausto.
E nunca tinha ouvido falar em hiperlucidez.

Talvez este seja o texto menos pensado e menos programado que já publiquei.
Mas vai ficar aqui, exatamente como surgiu.
Pra eu olhar pra ele algum dia e lembrar
que hoje eu não escrevi pra ninguém.

Escrevi pra mim.

Pra lembrar que, no dia de acertar as contas com o Criador,
vou certo da minha ignorância.
Não terei sido tão sábio quanto Thot ou Hermes Trismegistos.
Aliás, não terei chegado nem perto do mais medíocre dos seus discípulos.
Não terei, por mais cristão que seja, nenhuma das virtudes de Jesus Cristo.

Mas se não houver lugar pra mim no céu,
vou levar uma moeda para o barqueiro.
E na hora de pesar meu coração na balança de Anúbis,
ele estará leve como uma pena.

Porque nesta hiperlucidez exaustiva...

posso nunca ter ido tão fundo quanto poderia,
mas meus sentimentos nunca foram rasos.

sábado, 10 de maio de 2025

MÃE - 11 05 2025

MÃE: SUBSTANTIVO, VERBO OU ESTADO DE ESPÍRITO

Você pode não ter filhos e, ainda assim, encontrar por aqui alguma reflexão — afinal, de alguma forma, você teve mãe.

Quando a ideia da paternidade ainda aquecia meu coração, eu não tinha a menor condição para ter filhos — ao menos não as condições que eu considerava minimamente ideais.
Com o passar do tempo, a vontade de ter filhos passou, mas sempre foi um assunto interessante. Afinal, não tive filhos, mas tive uma mãe e tanto.

"Teu problema, meu filho, se é que isso é um problema, é que tu fazes tudo do teu jeito — e como sempre deu certo, tu não queres saber de outro jeito de fazer as coisas..." (Minha mãe)

Quando minha querida mãe — que o bom Deus a esteja acompanhando — partiu deste mundo, já faziam três décadas que não tínhamos uma convivência diária. Mas sempre estivemos, e sinto que ainda estamos conectados.

Muito da liberdade e independência pelas quais tanto prezo aprendi com ela — inclusive lutar pelas próprias ideias e assumir as consequências disso.
 

 Minha mãe foi dona de casa e passou a vida acompanhando meu pai, não porque lhe faltasse capacidade para fazer qualquer outra coisa que quisesse, mas porque foram essas as suas escolhas. E ela também viveu como quis, enquanto pôde.

Comigo, ela foi o que considero que toda boa mãe deveria ser: um porto seguro que nunca me prendeu no cais.
Me criou para o mundo — mas sempre esteve ali.

Lembro de uma conversa séria que tivemos na minha adolescência, quando falei que, um dia, eu sairia de casa e só voltaria para visitá-la.
Ela, no seu amor eterno, me disse que sabia que o mundo seria pequeno para mim, e que uma vida seria pouco tempo.
Disse também que estaria torcendo e rezando para que eu fosse sempre o dono dos meus passos — e que estaria me esperando com amor quando eu fosse visitá-la.

Pouco tempo depois, eu saí de casa, e algumas vezes lembramos dessa conversa.


Das minhas primeiras memórias até o dia em que ela partiu, amor, carinho e um cafuné foram a nossa forma de nos comunicarmos.

Não fui o que se considera o melhor filho, fui exatamente o que pude ser um espírito livre, que não veio ao mundo para ser o que alguém queria, ou para cumprir com os propósitos de vida de outra pessoa.

Nasci do ventre da minha mãe, sem dúvida — mas sempre fui um filho do amor e da liberdade.
Esses foram os maravilhosos presentes que recebi dela quando nasci.

Hoje, cada um definirá sua mãe com o verbo e o substantivo que considerar mais apropriados.


E cada um saberá o estado de espírito que lhes trará esta ocasião.

Aqui do meu canto, lembrança e saudades têm espaço — mas o que se destaca é o amor, a liberdade e a conexão que ainda nos mantém juntos.

Também é este o meu desejo para todas as mães e seus filhos:
Que encontrem a sua própria conexão, e que ela seja sempre fruto de um amor verdadeiro.

Feliz Dia das Mães!

Carinhosamente,


Rinaldo Conti:.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

TITÂNIO - 09 05 2025

 




Odeio drama, mas eu faço…

Chove lá fora. Atirado na cama, eu medito.
Na boca, um buraco — no osso, titânio.
No peito, silêncio. No tempo, espera.
A carne da gengiva costurada coça;
o peito, remendado com aço, é frio.

Nas caminhadas do dia, entre os compromissos —
o dentista, a farmácia e o mercadinho da esquina —
aquela sensação de piloto automático,
fazendo o que tem que ser feito,
quase sem saber se existe propósito nessas coisas.

Me pego pensando:
O titânio é biocompatível, adere ao osso.
Já entre as pessoas, parece haver uma certa incompatibilidade.
Talvez porque não exista uma tabela periódica para o que a gente sente.

Metade da vida é um trabalho praticamente invisível —
como um dente que é importante, mas não aparece quando a gente sorri.
A outra metade é o resultado desse trabalho:
coisas que, às vezes, ninguém prestaria atenção.

Comprei suco. Comprei sorvete. Comprei remédios.
Mas o que eu precisava mesmo
não tem na farmácia e nem no mercado.
Ah, se eu ao menos soubesse o que é…

Talvez sejam buracos na alma que nenhum metal preencheria.
Ou é só o efeito de um buraco no osso
e um pedaço de titânio.
Ou é só drama.
Odeio drama.
Mas eu faço...

quinta-feira, 1 de maio de 2025

TODO DIA ACABA - 01 05 2025


Como disse o economista John Maynard Keynes:
“No longo prazo, estaremos todos mortos.”

Mesmo sabendo disso, ainda há quem desperdice a própria vida tentando atrapalhar a dos outros.

Hitler criou a Blitzkrieg, uma tática de guerra baseada em assaltos rápidos e, com isso, conquistou grande parte da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Egoísta e ambicioso, resolveu então atacar a Rússia, com quem mantinha um pacto de não agressão.

Os russos responderam com a estratégia da defesa em profundidade e da terra arrasada: recuaram para o interior do país, destruindo tudo o que ficava para trás, impedindo o abastecimento dos nazistas.

Quando os alemães estagnaram, o Exército Vermelho contra-atacou, e, em Stalingrado, houve um massacre histórico.

Nem tanto a paz, nem tanto a guerra.

Se todos estaremos mortos no longo prazo — e alguns no médio ou no curto —, parece muito mais inteligente cooperar e evoluir.

Mas isso, na melhor das hipóteses, ainda é apenas um sonho. Basta ver a situação do mundo e os conflitos entre países, partidos e pessoas.

Os invejosos não querem apenas o que você tem — eles querem que você não tenha. Sejam países, partidos ou pessoas.

E é preciso cuidado, porque egoísmo e inveja são sementes que, quando regadas, podem florescer em atitudes estúpidas e violentas.

Foi assim com impérios, com países, e continua sendo assim entre pessoas.

Daí a importância de buscar o caminho do meio:
Sem desperdício, mas também sem avareza.
Sem invadir, mas também sem entregar tudo.

“Basta a cada dia o seu próprio mal.”
(Mateus 6:34)

Todo dia acaba.
E, com ele, acabam muitas coisas: fases, expectativas, romances, amores e vidas.
Mas muitas coisas boas podem ser preservadas — se forem bem cuidadas.

Deixo aqui alguns exemplos que tenho percebido:
Não exija de alguém aquilo que ele não tem para lhe dar, não consegue fazer ou não sabe ser.

Exigir sem noção é como invadir um país amigo: haverá recuo sobre terras arrasadas, onde nada mais poderá florescer.

Muita coisa mudou desde o fim da guerra, em 1947, mas Keynes ainda tem razão quanto ao nosso futuro.
Muita gente parece não ter aprendido nada — mesmo sabendo que, em breve, não estaremos mais por aqui.

Por isso, fica o convite para refletir.
Afinal, nós sabemos que, todo dia, tudo acaba.


sábado, 26 de abril de 2025

ORIGENS - 26 04 2025

 


 As Origens do Meu Blog

No dia 8 de outubro de 2022, publiquei o primeiro texto por aqui.

Eu partiria para uma viagem pelo interior do Uruguai, passando por regiões onde provavelmente não haveria sinal de celular — e, sinceramente, momentos em que eu também não faria questão de que houvesse.

Por mais que poucas pessoas se importassem com um eventual (ou permanente) sumiço meu, essas poucas eram justamente as que mais me importam. Foi pensando nelas que surgiu a ideia deste blog: para deixá-las informadas de que eu estava vivo.

Logo depois, veio também a vontade de publicar algumas coisas que estavam confinadas em documentos particulares e em gavetas empoeiradas.

E assim nasceu o blog. Nele, postei letras de músicas que depois acabei gravando — acredito que já tenha comentado sobre isso em algum outro texto.

Ontem, depois de algumas semanas dedicadas a catalogar fragmentos escritos, cheguei a um número assustador: entre frases soltas, romances inacabados, contos, crônicas e outros subprodutos literários, ultrapassei a marca de 1.800 textos.
Foi aí que percebi: eu havia regredido ao hábito de escrever em arquivos encarcerados, esperando por uma lapidação que nunca viria — e buscando uma perfeição que nunca foi o objetivo.

Então, retorno às origens: escrever porque gosto, sobre o que gosto, do jeito que estou a fim — para quem quiser ler.

Entre essas coisas que gosto, além de escrever, está entrar no carro, abastecer e rodar até a gasolina quase acabar, rumo ao sul... Isso sempre me leva um pouco além de Porto Alegre, depois vem outra abastecida e logo estou no Chuí. Meu coração já bate diferente. Então, un cruce de banda! E, do outro lado da fronteira, onde tudo parece quase igual, os sentimentos são totalmente diferentes.

O simples ato de cruzar a fronteira, ver o horizonte se alongando, a quantidade de gente diminuindo... já faz o coração bater em outro ritmo. Depois, é cruzar o paisito sem pressa, chegar à capital desacelerado, e se conectar com uma vida que também não é tão apressada.

Tomar um café, olhar o movimento, dançar um tango em algum casarão antigo... e escrever sobre tudo isso.
Estas são as origens do meu blog, do meu desejo de escrever e das primeiras publicações.
Se faltaram textos nos últimos meses, talvez seja porque está faltando cruzar a fronteira com mais frequência.

 Carinhosamente:.