Duas versões de uma canção.
"Se você leu o último texto já sabe como conheci o Augusto. Caso não tenha lido, fica o convite, pois hoje vou contar como os Versos Íntimos do Augusto se transformaram em música."
A arte muitas vezes é um exílio para os inconformados, e não se trata de querer ser “do contra” ou ficar por aí pregando rebeldias e inconformismos, é um lance de essência que acaba transbordando. A poesia do Augusto não é alegre nem colorida. Mas quem, em sã consciência, acorda alegre e sorridente todos os dias? O lance é que quando a essência do Augusto transbordou, e deu origem ao livro “Eu”, a síntese foi sombria.
Eu vivia dias que alternavam entre luzes e sombras quando conheci o Augusto, “Versos Íntimos” pra mim era a síntese da obra dele, e dizia muito sobre os meus sentimentos também; cantarolei a melodia de “Versos” pela primeira vez nos corredores escuros da faculdade. Pouco tempo depois um período de sombras fez com que meus violões, e guitarras fossem parar numa masmorra dos sonhos. Só não parei de escrever, mas ainda assim não publicava.
Depois de cumprir uma pena “auto-imposta”, e ainda assim á duras penas, violões e guitarras saíram do calabouço e duas músicas vieram à luz, como um raio de sol que aparece antes da tempestade. Novamente as sombras apagaram por um tempo as músicas que comecei a lançar… Então, num legítimo grito de liberdade, abracei as sombras que me cercavam e reencontrei entre Edgar Allan Poe, H.P. Lovecraft e Byron, a melodia ainda decorada “Versos Íntimos”, que emergiu da memória como o clarão de um raio durante a tempestade! Chorei de saudades, de raiva e de felicidade, e o movimento de dar vida a esta canção foi como uma onda estourando contra os paredões de pedra de uma encosta deserta.
Minha versão de “Versos Íntimos” nasceu acústica. Construí uma introdução que remete ao ambiente onde imagino que o Augusto escrevia, em algum recanto boêmio do Rio de Janeiro dos anos 1900… O restante é a poesia do Augusto na íntegra, e um final que não entra na versão acústica, nem na eletrônica, e que reservamos exclusivamente para o videoclipe. E sim, spoiler: “Versos Íntimos” vai ganhar um videoclipe!
Na busca por arranjos, o violão continha alma da música, mas para trazê-la a vida era preciso mais peso, e chegaram as guitarras. A atmosfera então pediu por luzes, e assim como as luminárias coloridas, que remetem ao conceito artístico do conjunto quem iluminou esta etapa foi um sintetizador Roland Jupiter! Neste momento, a poesia do Agosto de 1912 embarcou em uma máquina do tempo que a lançou nos anos 80, e aterrissamos juntos em um território que conheço um pouco e curto muito! A música fez uma curva, mudou de tom, de cor, e a rebeldia veio à tona na decisão de cantar de forma mais alegre e agitada aquele manifesto de profundidade abissal. Só faltava um coração pulsante para que a música viesse à vida; e foi assim que escolhi uma bateria Lin, também dos anos 80.
E pronto! Para quem gosta de detalhes, e de saber das coisas na sua origem, eis aí a inspiração, transpiração, planejamento, concepção e criação de uma canção, passo a passo… De 1912 á 2025, da versão original de um poema do Augusto, para os alto-falantes e fones de ouvidos. Do Brasil para o mundo, esta é a história por trás da minha versão musical de “Versos Íntimos”, que você vai poder acompanhar em breve, na íntegra, em todas as plataformas de streaming do mercado,e logo mais também no youtube!
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A gente se vê! Valeu!
Rinaldo Conti:.







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