Servos e senhores…
Pode soar estranho que a mesma música que liberta também aprisiona, mas é uma questão de percepção, nem tudo se prende por correntes.
A escravidão acabou, ou acabamos de descobrir que ela só mudou de nome?
Não há servo sem senhor, sim senhor, senhoras e senhores. A relação de escravidão precisa de duas partes: Uma que é dona de tudo e todos, que manda, que impõe impostos, que cria leis; a outra parte é a que tem calos nas mãos, marcas de chicotes nas costas, e que só é livre para escolher a quem quer servir.
Até Platão, que exaltava a música, expulsaria da cidade ideal os poetas. Logo, mesmo sendo livres para pensar, podemos acabar fatalmente presos a uma corrente de pensamento, ou expulsos de algum lugar por querer unir poesias e acordes. Acontece…
Mas não é sobre filosofia e nem sobre política, é sobre música mesmo. A mesma que Platão se referia, que é a mesma que ouvimos no spotify. Será que ela nos prende ou nos liberta? Quem nunca se colocou na situação do personagem de uma canção?
Do lado de quem anda escrevendo textos e canções, às vezes cansa. Tem canções que apenas precisam ser libertadas do invisível que habitam e que precisam nascer e cuidar da sua própria vida no mundo. Tem outras canções que são planejadas como um filho, com aquela sensação de que podem tornar o mundo um lugar melhor, mas que para serem efetivamente livres não podem carregar essa expectativa; já basta os três minutos em que estarão presas.
Nova reflexão: Aquilo que dizemos é eterno quando se repete? A canção dura mesmo três minutos ou dura por todos os três minutos que se repete quando alguém ouve a canção?
Não vou recomendar reflexões, pelo menos por aqui a interpretação é livre, todos podem ser os servos ou senhores dos próprios pensamentos, pelo menos quando estão em silêncio..

Nenhum comentário:
Postar um comentário