sexta-feira, 28 de outubro de 2022

A TEORIA DO VIAJANTE CANSADO - RIO GRANDE /RS - 28 10 22

 


 
1- Ao acordar arrume a cama!

 Não sei quais são as suas prioridades ao acordar. Ir ao banheiro, escovar os dentes, abrir a janela, mas seja qual for a ordem das primeiras atividades do dia, entre elas arrume a sua cama.

2-A realidade.

 Algumas cidades tem poucos hoteis, e em algumas regiões não tem hotel algum. Dependendo de onde você se encontra ( ou se perde ) não vai encontrar nem mesmo um camping, talvez por algum tempo não encontre nem um ser humano por perto!

3-As possibilidades.

 Imagine você em uma viagem longa, cruzando horizontes desertos e absorvido pelas paisagens, imerso em pensamentos profundos, desfrutando das sensações e possibilidades que somente as longas viagens podem oferecer ao se humano. É algo incrível, e caso você ainda não tenha vivido esta experiência eu recomendo grandemente que a considere.

 Porém... Passadas as primeiras dez, onze horas de viagem, ainda que tudo resulte na mais profunda sensação de plenitude, realização e paz, seu corpo começará a enviar sinais de que as necessidades físicas exigem de atenção. Mesmo que tenha se organizado com a alimentação, hidratação e paradas para ir ao banheiro, assim que o sol se puser, depois de um dia de jornada, seus instintos mais primitivos começarão a guiá-lo para a busca de abrigo, um lugar protegido onde possa manter-se á salvo, aquecido e tranquilo para repor as energias. E os seus hábitos de ser humano moderno certamente vão começar a fazê-lo pensar em algo como: Um bom chuveiro, uma boa cama, quem sabe um ar condicionado, talvez uma roupa de cama macia e cheirosa, ou ainda uma boa conexão com a internet, e porque não um previsível e saboroso café da manhã para o dia seguinte...

 Hoje em dia é possível encontrar verdadeiros oasis no meio do nada, e também é bem possível não conseguir um quartinho de hotel qualquer em uma cidade grande, caso você não tenha uma reserva e a cidade por acaso esteja sediando algum evento, justo no dia em que você só queria um lugarzinho pra passar a noite.

 Ainda existem variáveis que podem ser surpreendentes, como encontrar uma ótima hospedagem por um preço módico de ocasião, ou pagar caro por uma acomodação ruim. Tudo é possível...

4-Hábitos saudáveis.

  Já li e ouvi muita coisa sobre hábitos saudáveis. Sobre arrumar a cama ao acordar existe muita coisa interessante, recomendo uma pesquisa, os assuntos vão desde aumento da produtividade até alguns lances mais profundos, realmente interessantes... No que se refere a "Teoria do Viajante Cansado" arrumar a cama pode ser uma questão de sobrevivencia, ou a diferença entre uma noite explêndida e uma periodo miserável sob o manto da escuridão.

5-A teoria.

 Já me hospedei em lugares incríveis, mas também já tive que aceitar lugares onde a roupa de cama evidentemente não havia sido trocada, e em alguns lugares onde se quer tinha roupa de cama. Já provei do impecável ao condenável no que se refere a hotelaria, embora meu orçamento e estilo de vida na maioria das vezes me conduzam para hospedagens na média. Também já dormi em onibus, carros, aviões, barcos e tres, rodoviárias e aeroportos, algumas vezes por opção e outras por falta de sorte ou planejamento.

  A teoria do viajante cansado surge de algumas ocasiões, onde cheguei em algum lugar sem ter reserva e tive que insistir para conseguir me hospedar. E não é que o anfitrião não quisesse hospedar um viajante evidentemente cansado, é que simplesmente os espaços disponíveis não estavam de acordo com os padrões do próprio anfitrião. Por sorte numa conversa eu acabava descobrindo que era simplesmente porque faltou roupa de cama, ou porque a tv ou o frigobar não estavam funcionando, ou ( e é aqui o ponto sensível ), porque havia faltado algum funcionário para o serviço de limpar e arrumar! E algumas vezes, na conversa e explicando que eu só precisava de um banheiro, um chuveiro e uma cama, e que não me importava de usar meu saco de dormir ( sim isso já aconteceu ), enfim eu acabava conseguindo resolver. Cheguei a dormir na sala da pousada de uma amiga, porque na ocasião estava nevando, não como não haviam mais vagas na cidade e eu provavelmente morreria congelado dentro do carro, ou passaria um belo perrengue.

 Enfim, você ser humano civilizado, que tem, ou terá o privilégio de empreender um viagem, seja ela qual for, independente do roteiro e do quanto esteja pagando pela sua hospedagem,  e independente  de onde se hospede, ao acordar arrume a cama! E não vai lhe custar nada também estender a toalha do banho e deixar as coisas minimamente organizadas... Primeiro porque você é um ser humano civilizado ( supomos ), segundo por respeito ao pessoal que trabalha arrumando as instalações para os próximos hóspedes, se você for legal com eles, eles serão ainda mais caprichosos com os próximos hóspedes e alguém certamente será mais legal e atencioso com você em breve, quando você menos esperar, e talvez quando você mais precisar. Acredite, tudo o que vai volta! 

 6- A teoria na prática.

 Enfim, a cama que você arrumou pela manhã, pode ser aquela que um viajante cansado aceitaria de bom grado sem trocar os lençóis, e o quarto que você deixou arrumado, pode ser aquele que o dono da pousada foi conferir e viu que rapidinho podia deixar pronto pra um viajante cansado... E lembra que comentei lá no início sobre os benefícios de arrumar a própria cama? Faça um teste.

 Espero que a teoria do viajante cansado tenha sido uma leitura agradável, e tenha ajudado você a refletir, adquirir, cultivar e incentivar novos e bons hábitos. E faço votos que você possa praticá-la e caso precise possa se beneficiar dela!

 Baita abraço! 

                                                                                                       Rinaldo Conti - QRA Bagual Véio 

sábado, 22 de outubro de 2022

LIVROS, CHUVA E CHIMARRÃO - 22 10 22

 
  Parte I - Coincidencias.

  Sem a pretensão de ser um historiador ou pesquisador gosto de ter uma noção dos lugares por onde ando, para saber, pra poder discutir e compartilhar ideias e informações com quem se interesse pelos mesmo lugares. Em cada lugar vou elencando meus cantos favoritos, entre eles sempre há algum refúgio silencioso para contemplar, ou um lugar onde possa me perder entre histórias e livros; em São Paulo é o "Sebo do Messias" que fica atrás da catedral da Sé, em Floripa é o "Sebo da Ivete" no centro antigo, em Porto Alegre é em algum sebo da rua Riachuello, e em Montevideo, por enquanto vai sendo na "Diomedes Libros", na Avenida España... Qualquer estante de livros já guarda suas peculiaridades e encantos, seja pela temática ou mesmo pela disposição, já as grandes livrarias são legais para se atualizar, mas entre os arquivos e sebos, onde os gritos e sussurros de fantasmas surgem tossindo empoeirados, onde jazem até as almas das traças entre as páginas corroídas da história, é ai o ambiente que mais me agrada, e onde acabo por coincidência encontrando o que gostaria de saber sobre os lugares por onde ando... O mais incrível nesses lugares é poder tropeçar em verdadeiras pérolas e coincidências, se é que elas existem. 

 Parte II - Pendências.

 O Uruguay tem 19 regiões administrativas chamadas de departamentos, que para nós brasileiros seriam os estados. Destes 07 deles eu ainda não conhecia, e entre outros objetivos desta viagem estava pelo menos cruzar estes 07 departamentos, tentando me localizar e saber um pouco mais sobre cada um. Por enquanto o que consegui foram 06, me faltando apenas "Tacuarembó", por onde não tenho certeza se já não estive em outras viagens, mas considero pendente, por enquanto. Como cruzei rápido os departamentos pude apenas notar além da geografia algumas diferenças aqui e ali, peculiaridades das rodovias (aqui chamadas de rutas), e terminei mais uma vez ficando com um gosto intrigante e apaixonado de revanche, de querer voltar e descobrir um pouco mais.
 De qualquer forma, as cidades que mais me interessava visitar eram Fray Bentos no departamento de Rio Negro, e Mercedes, no departamento de Soriano. Consegui cumprir com esta tarefa, e mais, acabei me apaixonando por Mercedes, de onde sai inconformado por não ter chegado antes, e por não ter tempo para ficar um pouco mais. Ficou pendente saber um pouco mais sobre os lugares por onde havia passado, e para onde planejo voltar.

 Parte III - Tarefas

 Cheguei em Montevideo precisando descansar, com um clima frio atípico para esta época do ano, e com o tempo virando pra chuva. Minha agenda já estava acertada para alguns compromissos durante a semana, mas a imagem de Mercedes e outras paragens do oeste uruguayo ainda era nítida no meu pensamento, de qualquer forma pesquisar mais a respeito ficaria para depois dos compromissos ou para o final de semana (este em que estou escrevendo, enquanto continua chovendo).
 Resolvidas as tarefas do primeiro dia fiz uma caminhada de volta para casa pela rambla, o que rendeu umas tomadas de vídeo (que se já não estiverem, em breve estarão no canal, confere lá... "Conti, Uma Historia", no youtube). Nos dias seguintes fui finalizando as tarefas com passeios em museus, igrejas ou pelas ruas da cidade, e eis que acabei parando na livraria "Diomedes"...

 Parte IV-  De volta as coincidências.
 
 Uma das razões desta viagem, entre outras mais nobres é a incerteza que paira sobre o Brasil por conta das eleições, assunto que talvez eu aborde com mais paciência em outro texto. Basta dizer que entre outras leituras, nos últimos meses andei lendo a nossa constituição, e "coincidentemente" ao cruzar por uma banca de livros por aqui, me chamou atenção uma edição de la "CONSTITUCION" de la Republica Oriental del Uruguay, a qual deixei solta sobre a banca assim que comecei a me perder pelos corredores da livraria, e eis que no mesmo instante em que pensei se encontraria por ali algo sobre a já querida Mercedes, acabei tropeçando ( literalmente em um exemplar da coleção, " LOS DEPARTAMENTOS ".



 Os primeiros dois exemplares que encontrei tratavam justamente de Rio Negro, onde está Fray Bentos e Soriano, onde está Mercedes.




 Os exemplares são de 1970 o que já os torna interessantíssimos para fins de comparação com o estado atual das coisas, e o mais interessante é que muita informações históricas disponíveis nos pontos turísticos destes locais ainda hoje, por tratarem de tempos ainda mais distantes continuam atualizados, é o caso da própria imigração, desenvolvimento do interior do país e seus momentos marcantes. 
 
 Parte V - De volta a constituição.



  Separados os meu livros, e feliz por tê-los encontrado, já ia fechando a conta quando me ocorreu de levar também " La Contitución" um exemplar oriundo do plebiscito de 27 de Novembro de 1966, aquele que havia me chamado a atenção para entrar na livraria. O preço já estava dado, seriam 100 pesos cada livro, e quando pedi para acrescentar a constituição a resposta foi um simpático: " No, no, este lo llevas como regalo", ou seja, saiu de presente.

 Parte VI - Conclusão.

 Coincidências ou não, consequências á parte, neste dia de chuva, de livros e de chimarrão, a conclusão destas linhas amarram as pontas de muitas outras coisas, histórias que vem de outros tempos, das minhas primeiras viagens por estas bandas e que vão sugerindo as viagens seguintes, aventuras e memórias, que eu compartilho com muito prazer lhes contando como gosto por aqui, em "Conti, uma história".

 Continua em...                                   YOUTUBE    e    INSTAGRAM

sábado, 15 de outubro de 2022

Dia de escrever - 15 10 22

 


" Viver é escrever histórias nas págias do tempo "

  Lembro que a frase acima na mesa de bar em Ushuaya, e isso já tem mais de vinte anos passados... Mas sigo fiel a esta frase, as vezes as histórias são faladas, outras vezes escritas, e nos últimos dias algumas tem sido filmadas. Inclusive, tem vído novo no canal, dá uma olhada lá: 


É verdade que muitas histórias, embora tenham sido vividas intensamente acabam por não serem compartilhadas , no sentido de não publicá-las, ou porque eu não as considerava bem acabadas, ou por uma série de outros porques que já não vem ao caso. 

O fato é que comecei a ouvir que deveria escrever, e passei a dar ouvidos quando alguém me fala isso.

 Acabou que eu precisava viajar, tirar uns dias de férias, e como as férias são para desfrutar, na lista das atividades constava: Não viajar com pressa, curtir a paisagem, parar onde der vontade e escrever, fotografar, filmar.

 Bueno, a estes objetivos eu precisaria somar algumas tarefas cotidianas como manter informadas as pessoas próximas e queridas, e portanto me pareceu boa a ideia de unir o util ao agradável compartilhando os registros desses dias. Então eis aqui materializado o blog, que não tem a pretensão de um formato disso ou daquilo, e é mais uma forma de avisar que estou vivo, e entreter aos desavisados com estas linhas editoriais tortas inspiradas que divindade que me cerca ( risos ).

  Ainda tem um perfil novo pra complementar o blog e o canal  publicar textos e fotos na mesma linha.   A vibe é a mesma mas os assuntos podem acabar variando, na dúvida, segue lá:  @conti.historias 

 Agora é preciso seguir, e viver para escrever! Hora de desconectar da internet, e conectar com a banda larga da estrada, sem pressa, com muito prazer, pra viver um pouco do lado de lá da divisa.

 Até a próxima linha, página, post, vídeo... Fui passear.

  


terça-feira, 11 de outubro de 2022

Dia dois - Ainda em Florianópolis...


  Não, isso não é um diário, nem é pra seguir uma ordem cronológica, alfabética ou lógica. Mas este é o final do dia dois.

  Eu já deveria estar cruzando a fronteira do país rumo ao sul, em qualquer lugar, a centenas de quilômetros daqui, mas sigo acampado na sala de casa, despachando burocracias como que escreve e assina a própria carta de alforria. E isso não é uma queixa e nenhum sacrifício, afinal fui eu mesmo que construí cada tijolo e cada grade das muralhas que me cercam. Mas esses dias de atraso para partir, essa lucidez prática sobre a escasez do tempo e o valor da liberdade, isso me deixa intrigado com o fato de ainda estar aqui.

 O que me salva o ânimo é o amor que tenho pelo meu simples e aconchegante lar. Mas é hora de partir! 

 Durmo quando tenho sono, como quando sinto fome, e de tempos em tempos a estrada me chama porque sou feito de horizontes, e é por isso que já deveria estar longe. Nada pode o homem contra a natureza, e menos ainda pode contra a própria essência.

Então partirei sem pressa, mas sem perder muito mais tempo, amanhã de dia, ou de madrugada, não sei a hora e nem o roteiro, mas o que eu sei é certeiro, o dia três será na estrada...

 Isso não é um diário, mas foi o registro do dia dois.

sábado, 8 de outubro de 2022

DIA UM - 08 10 2022.

                                           



    Em algum lugar da madrugada, enquanto deveria estar dormindo para acordar e trabalhar daqui a pouco, escrevo...

  Isso não é exatamente um recomeço, também não é a primeira vez, dizem que há uma primeira vez pra tudo na vida, e que a primeira vez a gente nunca esquece. No momento nao concordo com os ditados, não lembro a primeira vez que escrevi, só sei que naquele tempo tudo se resumia a papel e caneta, materiais rupestres nos dias de hoje. Agora sigo por instinto, sem a preocupação de desempoeirar ou polir demais as ideias, simplesmente apreciando o presente, seja ele feito de saudades que virão ou de expectativas que já passaram.

 E se eu tiver que contar os meus passos daqui até onde pretendo ir, basta dizer que hoje é o dia um, mais uma vez...

                                                                                                                             Rinaldo Conti:.