MÃE: SUBSTANTIVO, VERBO OU ESTADO DE ESPÍRITO
Você pode não ter filhos e, ainda assim, encontrar por aqui alguma reflexão — afinal, de alguma forma, você teve mãe.
Quando a ideia da paternidade ainda aquecia meu coração, eu não tinha a menor condição para ter filhos — ao menos não as condições que eu considerava minimamente ideais.
Com o passar do tempo, a vontade de ter filhos passou, mas sempre foi um assunto interessante. Afinal, não tive filhos, mas tive uma mãe e tanto.
"Teu problema, meu filho, se é que isso é um problema, é que tu fazes tudo do teu jeito — e como sempre deu certo, tu não queres saber de outro jeito de fazer as coisas..." (Minha mãe)
Quando minha querida mãe — que o bom Deus a esteja acompanhando — partiu deste mundo, já faziam três décadas que não tínhamos uma convivência diária. Mas sempre estivemos, e sinto que ainda estamos conectados.
Muito da liberdade e independência pelas quais tanto prezo aprendi com ela — inclusive lutar pelas próprias ideias e assumir as consequências disso.
Minha mãe foi dona de casa e passou a vida acompanhando meu pai, não porque lhe faltasse capacidade para fazer qualquer outra coisa que quisesse, mas porque foram essas as suas escolhas. E ela também viveu como quis, enquanto pôde.
Comigo, ela foi o que considero que toda boa mãe deveria ser: um porto seguro que nunca me prendeu no cais.
Me criou para o mundo — mas sempre esteve ali.
Lembro de uma conversa séria que tivemos na minha adolescência, quando falei que, um dia, eu sairia de casa e só voltaria para visitá-la.
Ela, no seu amor eterno, me disse que sabia que o mundo seria pequeno para mim, e que uma vida seria pouco tempo.
Disse também que estaria torcendo e rezando para que eu fosse sempre o dono dos meus passos — e que estaria me esperando com amor quando eu fosse visitá-la.
Pouco tempo depois, eu saí de casa, e algumas vezes lembramos dessa conversa.
Das minhas primeiras memórias até o dia em que ela partiu, amor, carinho e um cafuné foram a nossa forma de nos comunicarmos.
Não fui o que se considera o melhor filho, fui exatamente o que pude ser um espírito livre, que não veio ao mundo para ser o que alguém queria, ou para cumprir com os propósitos de vida de outra pessoa.
Nasci do ventre da minha mãe, sem dúvida — mas sempre fui um filho do amor e da liberdade.
Esses foram os maravilhosos presentes que recebi dela quando nasci.
Hoje, cada um definirá sua mãe com o verbo e o substantivo que considerar mais apropriados.
E cada um saberá o estado de espírito que lhes trará esta ocasião.
Aqui do meu canto, lembrança e saudades têm espaço — mas o que se destaca é o amor, a liberdade e a conexão que ainda nos mantém juntos.
Também é este o meu desejo para todas as mães e seus filhos:
Que encontrem a sua própria conexão, e que ela seja sempre fruto de um amor verdadeiro.
Feliz Dia das Mães!
Carinhosamente,
Rinaldo Conti:.

Um comentário:
Espírito livre.... ☺️❤️
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