A águia e a borboleta.
Dizem que o bater de asas de uma borboleta em algum canto do planeta, pode criar um furacão lá do outro lado do mundo.
Se for mesmo assim, imagino quantos tsunamis devem ter começado por ai, quando uma lágrima rolou do outro lado do globo.
E nesses devaneios de ações e reações, refletindo as consequências do muito e do muito pouco, das tempestades que as vezes fazemos em copos d'água, e dos apocalipses particulares que vivemos em doses homeopáticas, me peguei pensando:
Se o bater de asas de uma borboleta pode mesmo criar um furacão, que consequências virão com o bater de asas de uma águia?
As borboletas, passada a sua fase de larva, voam por aí embelezando o mundo durante sua vida curta; e é tão tranquilo o seu vôo quase desorientado e irregular, que fica difícil e intrigante acreditar que possam estar criando furacões do outro lado de um oceano.
Já as águias, nasceram para expressar a beleza da natureza na sua forma mais agressiva! Voam alto, enxergam longe, e descem como um raio quando estão caçando. As águias são o ponto de equilíbrio na sua intensidade máxima.
Também são mais longevas do que as borboletas, e neste ponto sua jornada se aproxima da caminhada de algumas vidas humanas. Lá pelas suas quarenta primaveras, diz a lenda, que as águias passam por uma metamorfose, com uma séria e dolorosa decisão a tomar: Para vivere por mais uns trinta anos a águia precisa voar para alguma escarpa, e lá onde as nuvens abraçam as montanhas, a águia arrebenta o próprio bico contra as pedras, com o novo bico que vai se regenerar ela arranca as velhas unhas, e com as novas unhas arranca as antigas penas.
Nós, humanos, não somos tão diferentes. As vezes precisamos voar pra longe para aprendermos a lidar com o que nos tornará mais fortes. Só assim poderemos voar mais alto, por mais tempo, e saberemos lidar com os furacões pelo caminho, sejam eles o bater de asas de uma linda borboleta, de uma águia, das asas da liberdade ou outras turbulências.
A natureza e a vida sempre foram assim, belas, intensas e muitas vezes indiferentes à nossa presença.
A dor sempre fez parte dos processos de mudança e evolução. Então viva o melhor que puder, abra as suas asas, sonhe e voe alto, e quando as dores e turbulências forem inevitáveis, faça delas uma experiência que te tornará mais forte e permitirá ir ainda mais longe.
Bons vôos.
Rinaldo Conti:.
Um comentário:
Belo texto, parabéns☺️
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