terça-feira, 11 de outubro de 2022

Dia dois - Ainda em Florianópolis...


  Não, isso não é um diário, nem é pra seguir uma ordem cronológica, alfabética ou lógica. Mas este é o final do dia dois.

  Eu já deveria estar cruzando a fronteira do país rumo ao sul, em qualquer lugar, a centenas de quilômetros daqui, mas sigo acampado na sala de casa, despachando burocracias como que escreve e assina a própria carta de alforria. E isso não é uma queixa e nenhum sacrifício, afinal fui eu mesmo que construí cada tijolo e cada grade das muralhas que me cercam. Mas esses dias de atraso para partir, essa lucidez prática sobre a escasez do tempo e o valor da liberdade, isso me deixa intrigado com o fato de ainda estar aqui.

 O que me salva o ânimo é o amor que tenho pelo meu simples e aconchegante lar. Mas é hora de partir! 

 Durmo quando tenho sono, como quando sinto fome, e de tempos em tempos a estrada me chama porque sou feito de horizontes, e é por isso que já deveria estar longe. Nada pode o homem contra a natureza, e menos ainda pode contra a própria essência.

Então partirei sem pressa, mas sem perder muito mais tempo, amanhã de dia, ou de madrugada, não sei a hora e nem o roteiro, mas o que eu sei é certeiro, o dia três será na estrada...

 Isso não é um diário, mas foi o registro do dia dois.

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