sábado, 10 de maio de 2025

MÃE - 11 05 2025

MÃE: SUBSTANTIVO, VERBO OU ESTADO DE ESPÍRITO

Você pode não ter filhos e, ainda assim, encontrar por aqui alguma reflexão — afinal, de alguma forma, você teve mãe.

Quando a ideia da paternidade ainda aquecia meu coração, eu não tinha a menor condição para ter filhos — ao menos não as condições que eu considerava minimamente ideais.
Com o passar do tempo, a vontade de ter filhos passou, mas sempre foi um assunto interessante. Afinal, não tive filhos, mas tive uma mãe e tanto.

"Teu problema, meu filho, se é que isso é um problema, é que tu fazes tudo do teu jeito — e como sempre deu certo, tu não queres saber de outro jeito de fazer as coisas..." (Minha mãe)

Quando minha querida mãe — que o bom Deus a esteja acompanhando — partiu deste mundo, já faziam três décadas que não tínhamos uma convivência diária. Mas sempre estivemos, e sinto que ainda estamos conectados.

Muito da liberdade e independência pelas quais tanto prezo aprendi com ela — inclusive lutar pelas próprias ideias e assumir as consequências disso.
 

 Minha mãe foi dona de casa e passou a vida acompanhando meu pai, não porque lhe faltasse capacidade para fazer qualquer outra coisa que quisesse, mas porque foram essas as suas escolhas. E ela também viveu como quis, enquanto pôde.

Comigo, ela foi o que considero que toda boa mãe deveria ser: um porto seguro que nunca me prendeu no cais.
Me criou para o mundo — mas sempre esteve ali.

Lembro de uma conversa séria que tivemos na minha adolescência, quando falei que, um dia, eu sairia de casa e só voltaria para visitá-la.
Ela, no seu amor eterno, me disse que sabia que o mundo seria pequeno para mim, e que uma vida seria pouco tempo.
Disse também que estaria torcendo e rezando para que eu fosse sempre o dono dos meus passos — e que estaria me esperando com amor quando eu fosse visitá-la.

Pouco tempo depois, eu saí de casa, e algumas vezes lembramos dessa conversa.


Das minhas primeiras memórias até o dia em que ela partiu, amor, carinho e um cafuné foram a nossa forma de nos comunicarmos.

Não fui o que se considera o melhor filho, fui exatamente o que pude ser um espírito livre, que não veio ao mundo para ser o que alguém queria, ou para cumprir com os propósitos de vida de outra pessoa.

Nasci do ventre da minha mãe, sem dúvida — mas sempre fui um filho do amor e da liberdade.
Esses foram os maravilhosos presentes que recebi dela quando nasci.

Hoje, cada um definirá sua mãe com o verbo e o substantivo que considerar mais apropriados.


E cada um saberá o estado de espírito que lhes trará esta ocasião.

Aqui do meu canto, lembrança e saudades têm espaço — mas o que se destaca é o amor, a liberdade e a conexão que ainda nos mantém juntos.

Também é este o meu desejo para todas as mães e seus filhos:
Que encontrem a sua própria conexão, e que ela seja sempre fruto de um amor verdadeiro.

Feliz Dia das Mães!

Carinhosamente,


Rinaldo Conti:.

sexta-feira, 9 de maio de 2025

TITÂNIO - 09 05 2025

 




Odeio drama, mas eu faço…

Chove lá fora. Atirado na cama, eu medito.
Na boca, um buraco — no osso, titânio.
No peito, silêncio. No tempo, espera.
A carne da gengiva costurada coça;
o peito, remendado com aço, é frio.

Nas caminhadas do dia, entre os compromissos —
o dentista, a farmácia e o mercadinho da esquina —
aquela sensação de piloto automático,
fazendo o que tem que ser feito,
quase sem saber se existe propósito nessas coisas.

Me pego pensando:
O titânio é biocompatível, adere ao osso.
Já entre as pessoas, parece haver uma certa incompatibilidade.
Talvez porque não exista uma tabela periódica para o que a gente sente.

Metade da vida é um trabalho praticamente invisível —
como um dente que é importante, mas não aparece quando a gente sorri.
A outra metade é o resultado desse trabalho:
coisas que, às vezes, ninguém prestaria atenção.

Comprei suco. Comprei sorvete. Comprei remédios.
Mas o que eu precisava mesmo
não tem na farmácia e nem no mercado.
Ah, se eu ao menos soubesse o que é…

Talvez sejam buracos na alma que nenhum metal preencheria.
Ou é só o efeito de um buraco no osso
e um pedaço de titânio.
Ou é só drama.
Odeio drama.
Mas eu faço...

quinta-feira, 1 de maio de 2025

TODO DIA ACABA - 01 05 2025


Como disse o economista John Maynard Keynes:
“No longo prazo, estaremos todos mortos.”

Mesmo sabendo disso, ainda há quem desperdice a própria vida tentando atrapalhar a dos outros.

Hitler criou a Blitzkrieg, uma tática de guerra baseada em assaltos rápidos e, com isso, conquistou grande parte da Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Egoísta e ambicioso, resolveu então atacar a Rússia, com quem mantinha um pacto de não agressão.

Os russos responderam com a estratégia da defesa em profundidade e da terra arrasada: recuaram para o interior do país, destruindo tudo o que ficava para trás, impedindo o abastecimento dos nazistas.

Quando os alemães estagnaram, o Exército Vermelho contra-atacou, e, em Stalingrado, houve um massacre histórico.

Nem tanto a paz, nem tanto a guerra.

Se todos estaremos mortos no longo prazo — e alguns no médio ou no curto —, parece muito mais inteligente cooperar e evoluir.

Mas isso, na melhor das hipóteses, ainda é apenas um sonho. Basta ver a situação do mundo e os conflitos entre países, partidos e pessoas.

Os invejosos não querem apenas o que você tem — eles querem que você não tenha. Sejam países, partidos ou pessoas.

E é preciso cuidado, porque egoísmo e inveja são sementes que, quando regadas, podem florescer em atitudes estúpidas e violentas.

Foi assim com impérios, com países, e continua sendo assim entre pessoas.

Daí a importância de buscar o caminho do meio:
Sem desperdício, mas também sem avareza.
Sem invadir, mas também sem entregar tudo.

“Basta a cada dia o seu próprio mal.”
(Mateus 6:34)

Todo dia acaba.
E, com ele, acabam muitas coisas: fases, expectativas, romances, amores e vidas.
Mas muitas coisas boas podem ser preservadas — se forem bem cuidadas.

Deixo aqui alguns exemplos que tenho percebido:
Não exija de alguém aquilo que ele não tem para lhe dar, não consegue fazer ou não sabe ser.

Exigir sem noção é como invadir um país amigo: haverá recuo sobre terras arrasadas, onde nada mais poderá florescer.

Muita coisa mudou desde o fim da guerra, em 1947, mas Keynes ainda tem razão quanto ao nosso futuro.
Muita gente parece não ter aprendido nada — mesmo sabendo que, em breve, não estaremos mais por aqui.

Por isso, fica o convite para refletir.
Afinal, nós sabemos que, todo dia, tudo acaba.


sábado, 26 de abril de 2025

ORIGENS - 26 04 2025

 


 As Origens do Meu Blog

No dia 8 de outubro de 2022, publiquei o primeiro texto por aqui.

Eu partiria para uma viagem pelo interior do Uruguai, passando por regiões onde provavelmente não haveria sinal de celular — e, sinceramente, momentos em que eu também não faria questão de que houvesse.

Por mais que poucas pessoas se importassem com um eventual (ou permanente) sumiço meu, essas poucas eram justamente as que mais me importam. Foi pensando nelas que surgiu a ideia deste blog: para deixá-las informadas de que eu estava vivo.

Logo depois, veio também a vontade de publicar algumas coisas que estavam confinadas em documentos particulares e em gavetas empoeiradas.

E assim nasceu o blog. Nele, postei letras de músicas que depois acabei gravando — acredito que já tenha comentado sobre isso em algum outro texto.

Ontem, depois de algumas semanas dedicadas a catalogar fragmentos escritos, cheguei a um número assustador: entre frases soltas, romances inacabados, contos, crônicas e outros subprodutos literários, ultrapassei a marca de 1.800 textos.
Foi aí que percebi: eu havia regredido ao hábito de escrever em arquivos encarcerados, esperando por uma lapidação que nunca viria — e buscando uma perfeição que nunca foi o objetivo.

Então, retorno às origens: escrever porque gosto, sobre o que gosto, do jeito que estou a fim — para quem quiser ler.

Entre essas coisas que gosto, além de escrever, está entrar no carro, abastecer e rodar até a gasolina quase acabar, rumo ao sul... Isso sempre me leva um pouco além de Porto Alegre, depois vem outra abastecida e logo estou no Chuí. Meu coração já bate diferente. Então, un cruce de banda! E, do outro lado da fronteira, onde tudo parece quase igual, os sentimentos são totalmente diferentes.

O simples ato de cruzar a fronteira, ver o horizonte se alongando, a quantidade de gente diminuindo... já faz o coração bater em outro ritmo. Depois, é cruzar o paisito sem pressa, chegar à capital desacelerado, e se conectar com uma vida que também não é tão apressada.

Tomar um café, olhar o movimento, dançar um tango em algum casarão antigo... e escrever sobre tudo isso.
Estas são as origens do meu blog, do meu desejo de escrever e das primeiras publicações.
Se faltaram textos nos últimos meses, talvez seja porque está faltando cruzar a fronteira com mais frequência.

 Carinhosamente:.

sexta-feira, 14 de março de 2025

Galo de rinha - 14/03/2025


 Galo de rinha...


 O sangue sempre foi vermelho e quente, salgado e com um final de boca que lembra o ferro. O instinto de lutar sempre foi a garantia da sobrevivência, ainda que as batalhas fossem contra os moinhos de vento. E se exite ordem no caos; adivinha quem foi que sempre fez voarem as penas do galinheiro?

 Quem luta contra a própria natureza está fadado a perder tempo, energia e por fim perderá todas as batalhas! O instinto deve ser acima de tudo um aliado, e para que o instinto e a vontade estejam jogando no mesmo time é preciso de autoconhecimento.

 O galo de rinha é um símbolo do passado, uma evocação ao espírito do guerreiro que cai sem se dar por vencido, e que se ergue apara a próxima batalha.

 Se é assim na vida de um galo de rinha, não seria diferente na minha! Enquanto estiver vivo estarei escrevendo, compondo, assoviando e cantando. Ainda que eu pareça calado por um tempo enquanto ando por aí, botando ordem nos galinheiros da vida e afiando as esporas.

 

quinta-feira, 10 de outubro de 2024

Retrospectiva do Blog - 10/10/2024

 Retrospectiva do Blog -  10/10/2024


Retrospectiva do Blog

Há dois anos e dois dias comecei a jornada de escrever aqui, e para alegria de alguns, continuarei escrevendo! No início, eu tinha apenas dois leitores: eu e uma amiga que me incentivou a começar. Lembro bem da alegria quando, pela primeira vez, um texto alcançou duzentos leitores. Em certo ponto, publicava dois textos por semana, e uma das maiores satisfações foi quando, ao falhar em publicar, recebi mensagens de leitores perguntando sobre o conteúdo.

Registrei minhas andanças, algumas viagens, pensamentos soltos e textos aleatórios. Era uma tarefa extra, não remunerada, mas que fui aprimorando ao longo do tempo e, apesar do esforço, me trouxe muito prazer.

Não demorou para aparecerem os julgamentos e, claro, as críticas vazias. Coisas do tipo: "Aposentou? Não trabalha mais, só escreve?"

"Pois é, os invejosos não querem o que você tem; querem que você não tenha."

Não importa se comecei a trabalhar na infância, saí de casa na adolescência, ou se passei a vida me dividindo entre dois ou três projetos ao mesmo tempo. Quem vive às custas dos outros sempre vai enxergar o resultado, mas nunca o esforço. E sempre vai ter alguém de espírito amargo para falar besteiras.

Em meio a essa trajetória, alguém que já me acompanhava no blog perguntou sobre minhas músicas. Foi aí que decidi abrir mais uma frente de trabalho: tirei do papel pelo menos uma canção. Fazia tanto tempo que eu não tocava que até das minhas próprias músicas tinha esquecido. Precisei reaprendê-las, e no meio desse processo, que também completou um ano, surgiu uma nova canção — a primeira que gravei.

Mais um projeto, correndo em paralelo com outros. Novamente, críticas estúpidas e comentários do tipo: "Só tocando? Não trabalha mais?". Como se fosse possível viver do Spotify (risos).

A vida, para mim, não é um cavalo indomável. Na verdade, minha vida é sensacional, mas cansei de não escrever sobre ela. Escrever textos e compor músicas é, no fim das contas, um exercício sobre o que sinto — para quem quiser se interessar. E só consegui fazer isso porque houve muito trabalho por trás para tornar tudo possível.

No desejo de dar o meu melhor, gravei quatro canções, lancei duas, e outras duas aguardam o momento certo. Mais quatro estão na fila. No entanto, justo quando lancei meu site oficial, minha produção de textos foi a zero por questões técnicas. O projeto do disco também travou.

No meio desse relato de um artista amador, fechei uma empresa que gerenciei por dois anos, em paralelo com outra que já funciona há mais de vinte. Continuei com essa última e alguns freelances, iniciei negócios fora do país e comecei novos projetos. Vendi meu apartamento na praia, construí uma casa, perdi uma amiga querida e também minha mãe. Não tive tempo para processar o luto, e, na tentativa de priorizar quem realmente importa, escrevi "Vento", uma canção sobre tempo de qualidade.

Enfim, por mais coices que receba dos cavalos que trato sem arreios e por mais absurdos que ouça de quem nada entende do que falo, seguirei escrevendo — mesmo que tenha apenas dois leitores. Seguirei compondo e gravando minhas canções, ainda que seja para tocar para uma só pessoa, como já fiz tantas vezes.

Este não é o meu estilo habitual de escrita, nem é o que busco, mas é o que precisava escrever agora. Em caso de dúvidas, críticas ou bobagens, costumo deixar um par de sapatos do lado de fora da porta de casa. Sinta-se à vontade para calçá-los, seguir meus passos e, só então, emitir sua opinião.

Em resumo, o blog continua, as músicas continuam, e eu continuarei também. A mesma essência, em melhoria contínua.

 Beijo no ombro.

 Att:.

sábado, 30 de março de 2024

Auf Wiedersehen - 30 03 2024


 O que poderia ser uma imperfeição na foto, passou a fazer todo o sentido.

 Na saída da cidade que é a porta de entrada para a serra, um até logo em alemão vai emoldurando a montanha mais alta da região. Em meio a arquitetura e natureza, uma placa digna de críticas sobre poluição visual aparece exatamente no meio do caminho.

 Mas não é assim mesmo a vida, com um ou outro detalhe de gosto duvidável no meio do caminho?

 A perfeição não existe, e a placa é apenas um detalhe na paisagem, ela não e maior que o pórtico e nunca será maior do que as montanhas, aliás, não é nem tão feia assim. E é assim a vida...
 
 A vida não é e nem será aquilo o que conaideramos um ato de perfeição. O que temos ao nosso alcance é a capacidade de perceber a beleza que existe em toda e qualquer coisa, sem medir, aumentar ou diminuir as coisas, e simplesmente contemplando tudo exatamente como é.

 Hoje foi um dia lindo e triste, ou triste e lindo, não houve perfeição apenas equilibrio.  

 Tudo pode ser mais ou menos, de acordo com a perspectiva do observador.

 Hoje foi dia de olhar para o céu, um lindo e azulado céu, do nascer ao por do sol. E tudo além disso são detalhes...

 Rinaldo Conti:.

segunda-feira, 11 de março de 2024

Sonhos no asfalto 08 - 03 - 24


Sonhos no asfalto.


Calçamos os mesmos tênis, usamos as mesmas calças jeans, compartilhamos o mesmo silêncio, na mesma estrada, do início ao fim.


Eu olho pra estrada enquanto você dorme, a luz do dia some e as tuas tatuagens mergulham nas sombras da noite que nos abraça.


 No meu braço, do teu lado uma águia recém nascida se esconde debaixo do meu moletom.


 Fico imaginando o que tocou nos teus fones, antes que eles caíssem, ficando emoldurados pelos teus cabelos.


 Do meu lado, me pego sonhando acordado, ouvindo um country e pensando nas canções que pretendo escrever; para alguém como você ouvir durante uma viagem, e chegar mais rápido, ou curtir o caminho, talvez de olhos fechados.


Em algum lugar da BR101, rumo sul.


08/03/2004.


                                           Rinaldo Conti:.

quinta-feira, 7 de março de 2024

A águia e a borboleta. 07 03 24

 Em algum lugar na BR101, rumo ao norte, escrevo...

  A águia e a borboleta.

 Dizem que o bater de asas de uma borboleta em algum canto do planeta, pode criar um furacão lá do outro lado do mundo.

 Se for mesmo assim, imagino quantos tsunamis devem ter começado por ai, quando uma lágrima rolou do outro lado do globo.

  E nesses devaneios de ações e reações, refletindo as consequências do muito e do muito pouco, das tempestades que  as vezes fazemos em copos d'água, e dos apocalipses particulares que vivemos em doses homeopáticas, me peguei pensando:

 Se o bater de asas de uma borboleta pode mesmo criar um furacão, que consequências virão com o bater de asas de uma águia?

 As borboletas, passada a sua fase de larva, voam por aí embelezando o mundo durante sua vida curta; e é tão tranquilo o seu vôo quase desorientado e irregular, que fica difícil e intrigante acreditar que possam estar criando furacões do outro lado de um oceano.

 Já as águias, nasceram para expressar a beleza da natureza na sua forma mais agressiva! Voam alto, enxergam longe, e descem como um raio quando estão caçando. As águias são o ponto de equilíbrio na sua intensidade máxima.

 Também são mais longevas do que as borboletas, e neste ponto sua jornada se aproxima da caminhada de algumas vidas humanas. Lá pelas suas quarenta primaveras, diz a lenda, que as águias passam por uma metamorfose, com uma séria e dolorosa decisão a tomar: Para vivere por mais uns trinta anos a águia precisa voar para alguma escarpa, e lá onde as nuvens abraçam as montanhas, a águia arrebenta o próprio bico contra as pedras, com o novo bico que vai se regenerar ela arranca as velhas unhas, e com as novas unhas arranca as antigas penas.

  Nós, humanos, não somos tão diferentes. As vezes precisamos voar pra longe para aprendermos a lidar com o que nos tornará mais fortes. Só assim poderemos voar mais alto, por mais tempo, e saberemos lidar com os furacões pelo caminho, sejam eles o bater de asas de uma linda borboleta, de uma águia, das asas da liberdade ou outras turbulências.

 A natureza e a vida sempre foram assim, belas, intensas e muitas vezes indiferentes à nossa presença. 

A dor sempre fez parte dos processos de mudança e evolução. Então viva o melhor que puder, abra as suas asas, sonhe e voe alto, e quando as dores e turbulências forem inevitáveis, faça delas uma experiência que te tornará mais forte e permitirá ir ainda mais longe.

Bons vôos.

Rinaldo Conti:.

terça-feira, 6 de fevereiro de 2024

LANÇAMENTO DO CLIPE DE POUCAS PALAVRAS!

 



 Não existe arte sem emoção, e a definição de arte é tão particular quanto tudo mais o que nos emociona!

 E é sempre emocionante voltar aqui, ao meu pequeno e velho blog, que segue firme na batalha enquanto o meu site oficial segue sua interminável saga de manutenções e ajustes.

 Mas vamos ao que está funcionando! Poucas Palavras, ganhando muito significado!
 
 Lançada em meados de Janeiro de 2024, Poucas Palavras, que está disponível em todas as plataformas de streaming, já ultrapassou as centenas de reproduções somente no Spotify. De forma totalmente orgânica. E já chegamos também nas ondas do rádio, em FM.

 Agora, no dia 09 de Fevereiro, as 21 horas, faremos o lançamento oficial do videoclipe no youtube.

 Como de costume, não poderia deixar de agradecer aos "poucos, mas fiéis" que tem me acompanhado ao longo deste ciclo. Obrigado!

 Espero que vocês se emocionem e curtam o clipe, deixo abaixo o link para que vocês possam se inscrever no meu canal e salvar o lançamento:   Poucas Palavras - Clipe Oficial

 Nos vemos por lá, ou pelos seus fones e autofalantes,  e pelas ondas do rádio!

 Valeu!
                                                                                                                  Rinaldo Conti:.
   

 

sábado, 27 de janeiro de 2024

O OUTRO LADO DA ARTE - 27 01 2024


 Uma postagem no tweeter as três da manhã diria tudo, ainda que não houvesse nada escrito. Mas havia...

 Estava sonhando com plantas quando acordei! 

 As luzes acesas,  janelas abertas... Cheguei  tão cansado ontem que desmaiei. 

 Acordei lembrando do sonho, abri o tweeter,  postei sobre as coisas como estão.

 A arte tem várias perspectivas, mas  duas são notáveis: O ponto de vista do artista, e o público do outro lado.
 
 Um cria, o outro aprecia. Os dois sentem a mesma energia de formas diferentes, até opostas as vezes.

 O produto acabado é consumido, reproduzido, e o processo reinicia com novidades.

 A vida muda, muda a rotina, o roteiro agora é outro e as esquinas virado encruzilhadas. 

 Quem sempre esteve junto segue firme; sonha junto, acha graça, e a gente acha um jeito pra fazer tudo funcionar. 

 Quem chega pra somar parece que sempre esteve por perto,  vem com tudo, chega junto, compra as brigas e compartilha os sorrisos.

 Não sei pra onde vai quem parte, só desejo boa viagem. Cada barco tem seu rumo, seu vento e o seu porto. 

 Não sei pra o de vamos nesse mundo louco de pernas para o ar, mas estamos indo rápido. 

Deste lado da arte, o artista é como um pára-raios durante a tempestade. Acordar escrever, lembrar e esquecer... Fazer acontecer! Se não for perfeito ao menos estará feito, estes também são artifícios da arte.

 Texto escrito, publicado, volto pra cama, sonhando acordado, e amanhã tem mais...

 Bons sonhos, seja do lado que for.







terça-feira, 9 de janeiro de 2024

02-VIVER AQUI - 08/01/2024


Você vai querer viver aqui...

Cada vez mais raro, e cada vez mais caro, o silêncio tem se tornado ítem de luxo. Afinal, ruídos e barulhos fazem parte da vida moderna, em quase todos os cantos do mundo, mas há quem prefira o contrário.

 Seja na Roma antiga ou nos dias de hoje, a migração de pessoas para os grandes centros fez com que além das cidades surgissem metrópoles. E não foram só as pessoas que foram para as cidades, mas as cidades foram abraçando o que antes era o interior...

 Quase sem perceber, as áreas que antes eram chácaras, sítios ou fazendas, que ficavam fora do perímetro urbano, foram se tornando loteamentos, condomínios e bairros. Das chácaras, sítios e fazendas ficaram apenas o nome em alguma placa de rua.

 Lugares antes desertos hoje tem tudo por perto, comercio, serviço, pessoas e tudo o que for preciso. Naturalmente, haverá menos silêncio nesses lugares.
 
 Não se pode ter tudo, e não se pode ter tudo sozinho. Todas essas facilidades exigem uma estrutura, a estrutura exige pavimentação, água, saneamento, energia elétrica. Isso tudo exige mão de obra, e essa mão de obra precisa morar, e circular em algum lugar. 

 O movimento necessário para edificar isso tudo gera ruído e barulho. E para quem se cansou, ou nunca esteve acostumado com isso, o silêncio passa a ter um valor ainda maior. 

 O sentimento oposto a valorização do silêncio é totalmente legítimo e verdadeiro. Para quem nasceu e viveu em áreas remotas, ou menos povoadas, em lugares onde o tempo parece ter parado, para quem sempre esteve ansioso aguardando por um progresso que parecia nunca chegar, para essas pessoas as cidades com os seus shoppings, ruas e avenidas cheias de gente podem ser um lugar muito agradável. É como o turista que estando de férias em uma cidade do litoral não se importa de ficar no trânsito por duas horas para ir até a praia, e mais duas horas para voltar pra casa. E é aí que está a questão.

  Ver o céu estrelado porque existe pouca iluminação noturna nas ruas, ouvir os pássaros porque não há ruído na volta, sentir o vento e a temperatura mudando rápido porque não há tantos prédios e tanto asfalto retendo o calor do dia, não é e nem precisa ser algo que agrade a todo mundo. São coisas que tem se tornado mais escassas, mas que de fato não fazem falta para quem gosta do ambiente urbano.

 Seja em um apartamento no centro da capital, na beira da praia, ou em um refúgio na montanha, o que define a satisfação e o apego que sentimos pelos lugares que visitamos são outros fatores.

 Quem nunca pensou que viveria no lugar onde está passando as férias? Pode ser no centro de Paris ou mesmo de São Paulo, pode ser em um resort de praia em Floripa ou em uma casa de campo na serra.

 A verdade é que não são só os lugares e suas características, nem é só a conexão com o ritmo ou estilo de vida que define como nos relacionamos com esses lugares. É principalmente como estamos nos sentindo que cria estes laços e conexões.

  Estar de férias significa que você cumpriu etapas, se planejou, se organizou, e agora terá a sua recompensa! A sensação de dever cumprido e recompensa é ótima, e estar de férias também significa dispor do próprio tempo como bem entender, dormir e acordar conforme o ritmo do proprio corpo e não conforme o despertador, provar comidas e bebidas diferentes sem horários definidos, e mais uma série de liberdades, que normalmente não fazem parte do dia a dia fora do período de férias. 

 E é claro que também existem as pessoas que não tiram férias por infinitos motivos, inclusive porque estão satisfeitas com as suas rotinas e lhes basta um final de semana para descansar. Tudo certo.

 Acho que você já entendeu onde estou querendo chegar, né? Não é na cidade e nem no campo, nem na praia e nem na montanha que queremos morar quando sentimos vontade de mudar...

 O que queremos é viver nas férias! Na sensação de liberdade, no silêncio e na tranquilidade ou no agito ruidoso. Queremos mudar e poder escolher.

 Da minha parte prefiro o silêncio do interior durante a semana, trabalhando remoto, e o final de semana na cidade.

 Seja qual for a sua preferência, quando você pensar que gostaria de mudar, antes de começar a olhar os anúncios de imóveis, pense um pouco, se você vai querer morar em um lugar onde passou férias, ou se o que você quer mesmo é "morar nas férias."

  Quando você encontrar o estilo de vida e o lugar certo, não tenho dúvidas de que vai pensar que é exatamente ali onde você quer viver.

                                                                                                                                      Rinaldo Conti.


segunda-feira, 1 de janeiro de 2024

01- PERSPECTIVAS - 2024


 O assunto é universal, mas as conclusões são particulares. O primeiro dia do ano sempre tem a ver com metas, objetivos, perspectivas, mas também é igualzinho ao último. Aliás, já fez sua retrospectiva e seus planos para 2024?

 A perspectiva depende da retrospectiva, de olhar para trás para os erros e acertos, fazer correções e ajustes no planejamento, e finalmente seguir melhorando o que já deu certo. Eis um modelo que rende bons resultados, embora a capacidade de improvisar também seja um ítem importante em qualquer jornada. Por aqui vamos planejando os trechos longos, e reservando o improviso para os imprevistos.

  Sem entregar o ouro, e nem esconder o jogo, é mais uma jogada de interpretação. O lance é compartilhar os trilhos, e cada um que toque seu trem.
 
 Nenhuma rota serve para quem não se move na direção dos próprios objetivos, então o lance é manter o movimento no sentido desejado, não mexer no time que está ganhando, investir no que multiplica, se livrar do que não agrega, aliviar da bagagem o que já não faz sentido, e assim seguir em frente mais leve, curtindo a jornada, pois até os caminhos conhecidos podem nos trazer surpresas agradáveis. 

 Retrospectiva avaliada, perspectivas definidas, time fechado e peso aliviado; é hora de pegar a estrada. 

 Sem metáforas, falo mesmo de devorar terra e asfalto, cruzar fronteiras em duas rodas, quatro patas, duas pernas ou quatro rodas tracionadas, ouvindo e compondo canções, lendo e escrevendo histórias, navegando em águas e poesias, voando alto em melodias ou nas asas de um avião.

 Satisfação, felicidade, amizade e prazer são objetivos que não se mede, e ainda assim são os melhores indicadores de sucesso ao longo de uma vida bem vivida.

 Se você já fez os seus planos, sucesso! Se não fez ainda, bom planejamento. Se não fará, boa sorte...

 Nos vemos por aí nas curvas de 2024, em algum pôr-do-sol que vai ficar pelo retrovisor, numa fotografia, nas telas em algum texto, em fones ou alto falantes, em alguma canção, ou olhando nos olhos.

 Por aqui, e por aí deixarei pegadas. 

 Por enquanto, boa caminhada!

                                                                                                                               Rinaldo Conti:.
 

 




 

domingo, 31 de dezembro de 2023

BALANÇO GERAL E RETROSPECTIVA - 31/12/2023

 
   

   O melhor ano das nossas vidas começa hoje!
   

   Hoje é domingo, né? Coincidência, sincronicidade ou sincericídios; tanto faz,  já havia uma previsão de que o futuro seria assim, e que os textos de domingo não seriam prisioneiros de um calendário, eles apareceriam quando houvesse uma ocasião relevante, e eis que estamos aqui, no último domingo, que é também o último dia do ano de 2023.

 O ano acabou e convém fazer um balanço, ao menos uma reflexão. Fica o convite para que quem me lê faça o mesmo. Por básico que pareça é sempre bom lembrar que a avaliação dos nossos objetivos, atingidos ou não, é o que nos permite planejar melhor.

 Por aqui a palavra que define o ano que se encerra é: " SUCESSO ", assim mesmo, GRANDÃO,  pra alegria de quem fez parte, de quem correu junto, sonhou, trabalhou e acreditou junto. 

 Sucesso objetivo nas contas que fecharam acima da média, nos compromissos cumpridos, e sucesso subjetivo, na sensação de dever cumprido.

 Sucesso não é sobre ganhar sempre, mas sobre ganhar mais do que perder e continuar no jogo, aprender com as perdas, corrigir a rota e compartilhar as vitórias!

 Entre as perdas inevitáveis, pra quem acredita na eternidade o jogo não acabou, só mudou de fase, e quem fica segue o plano!

 Entre as coisas que mudaram, tá tudo certo; "Nem tudo é eterno, mas algumas coisas permanecem"- já dizia Raul Seixas. 

 Quem me conhece sabe que costumo repetir algumas coisas, principalmente aquelas que se provam válidas através do tempo. Uma dessas constatações é que "não passa um ano na minha vida sem que eu conheça alguém legal, e que acaba fazendo parte da minha história." E não raro alguém assim acaba ficando, ou chega e  faz uma bagunça,  depois some, ou depois volta... Ou é alguém que eu acabo bagunçando, só pra sumir e reaparecer depois, sempre no bom sentido, no sentido de evoluir, ir pra frente, ou pelo menos no sentido de ver o mundo por perspectivas diferentes. E 2023 não foi diferente; entre encontros, desencontros, reencontros, e descobertas aos 42 do segundo tempo...

 As conclusões de planos de longo prazo não dariam certo sem as pessoas que fizeram parte do longo prazo! Sobrevivemos a governos malucos, uma pandemia mais maluca ainda, algumas guerras e solavancos na economia, e o mundo também sobreviveu. No médio prazo seguimos resilientes, evoluindo acima de tudo como pessoas e seres humanos. A  consequência disso é colher os frutos de um trabalho bem feito, e seguir trabalhando na semeadura dos próximos objetivos. 

 Pra quem foi chegando pra somar, sejam bem vindos! Aos demais um abraço.
 Pro ano que chega, seja bem vindo, mas fica um aviso: Vamos pra cima ainda mais do que antes!
 Pro ano que se vai; vá em paz, foi uma bela história...

 E para todos que chegaram até o fim deste texto, vocês de alguma forma estão fazendo parte de algo muito bacana que vai se movendo para o futuro! Na parte que me toca, só agradeço, por tudo. E da parte que lhes cabe, desejo que reflitam, e cheguem nas conclusões que vão levá-los ao seu próximo nível, ao seu sucesso objetivo, subjetivo, particular ou coletivo, e pra isso, no que precisar, conte comigo!

 Feliz 2024, e que este seja o melhor ano das nossas vidas!

 Baita Abraço.
                                                                                                                       Rinaldo Conti:.
 
 


sexta-feira, 8 de dezembro de 2023

A MATEMÁTICA DO TEMPO.

 


  Troquei um bom tempo da minha vida por dinheiro, depois troquei algum dinheiro pra ver se ganhava tempo. 

 Sozinho sempre produzi em escala aritmetica. Descobri na marra que nesse formato,  um objetivo só vence o tempo no cansaço, contando em décadas. Mas funciona bem! Começo, meio e fim.

 Trabalhar em equipe é muito bacana, mas é um desafio para um solitário por natureza.

 Compartilhar ideias, expectativas e motivação, é de certa forma fracionar a energia motriz de um projeto. 

 E se a vantagem desse formato reside nos resultados em escala geométrica, é indispensável compreender que a a conta é outra. E a forma de armar a equação também deve ser diferente.

 No fim, a forma determina não só a natureza das coisas, mas a sua existência, e nem todas as matrizes se aplicam á solução de um problema.

 É preciso observar pra saber a hora de fechar a conta e começar do zero. Nem sempre a gente acerta, mas sempre a gente aprende. 

  O tempo sempre será regressivo, deflacionário em volume, inflacionário em valor intangível, e disperdiçá-lo em contas que não fecham nunca será um bom negócio.

                                                                   Conti:.

segunda-feira, 2 de outubro de 2023

TEXTO DE DOMINGO -N16



   Alguém mais versado do que eu, na arte e na vida, disse certa vez que a produção artística é como um jornal:" Tem que sair todo dia." 

 Lembro de ficar chateado e incomodado. Como assim? Isso seria transformar a arte em um produto. - Pensei eu do alto dos meus treze, quatorze anos...

 Perpectiva óbvia de quem ainda não tinha se dado conta de que a arte é o trabalho do artista, e que qualquer trabalho quando é bem feito também leva uma boa medida de arte.

 Anos mais tarde, na escola naval, me deparei com três volumes chamados Navegação Ciência e Arte, uma obra técnica sem dúvida, mas de uma beleza artística profunda. E diga-se, um excelente produto! 

 Hoje percebo o quanto de arte há em todos os empreendimentos, e tenho percebido o quão braçal e burocrático também pode ser o desenvolvimento de um material artístico bem produzido, seja um texto de domingo; que para ser distibuído vai exigindo "termos de uso" e "políticas de privacidade" coisas que nada tem a ver com a arte de  escrever. Ou sejam as canções, que hoje requerem registros disso e daquilo, além de um trabalho cada vez mais tecnico na produção e lançamento.

 Enfim, o aprendizado contínuo faz parte de arte de saber viver. E se por um lado as burocracias e formatações nos podam, por outro lado também nos "quebram um galho" pois vão nos deixando com a casca mais grossa e a base mais firme, e assim vamos chegando mais próximos de um produto final bem acabado, seja um texto, ou  um jornal de domingo, ou mesmo um manual que nos ajude a navegar pela ciência das artes e ofícios...

 Boa semana.

                                                   Rinaldo Conti:.

 

 

sábado, 23 de setembro de 2023

TEXTO DE DOMINGO -N15

 


A COMPANHEIRA INVISÍVEL.


Você pode tocar para uma só pessoa, para uma platéia, ou sozinho, e ninguém vai “ver” a música. Eis a magia, eis o mistério… 


 Mesmo num show lotado, quem ouve e quem toca, o público e a banda, cada um ouve de uma forma única a mesma canção. A música tem esse poder de evocar sentimentos, de criar conexões e ao mesmo tempo ser solitária, ela caminha entre todos os ouvidos e conta uma história diferente para cada ouvinte.


A música guarda certa semelhança com a literatura, no sentido de dar margem para interpretações.


 São ótimas as companhias com as quais os assuntos nunca acabam, mas as melhores companhias são mesmo aquelas com as quais nos sentimos bem inclusive em silêncio, como acontece com as boas músicas.



 Entre linhas vem muita coisa boa por aí, se não der pra ver vai dar pra ouvir, vai ter até quem possa ouvir sem dar, palpites…

                                                                                                                             Rinaldo Conti


domingo, 17 de setembro de 2023

Texto de domingo -N14 - 17 09 23

 

  Janelas. 


 
 
 Uma brisa preguiçosa faz a nuvem baixa deslizar pela face leste da montanha. Tem razão a brisa e a nuvem ao andarem devagar, o domingo não é um dia para se ter pressa.

  A mesma brisa, quase fria entra pela janela do quarto trazendo o domingo pra dentro de casa. Ando lento até a cozinha para aquecer a água do chimarrão, e me pergunto: Quando foi que inventamos que a vida tem que ser apressada de segunda a sexta?





 Preparo o chimarrão, passo café e abro as janelas da sala, a brisa passeia dentro de casa mudando ares e temperatura, o sol se espreguiça atrás das montanhas do leste, e vai entrando em casa com ar dominical.

 Sou dado a mudanças, mas quando as coisas estão do meu jeito, tem rituais que aprecio muito repetir. Abrir de janelas e cumprimentar o sol com um café ou um chimarrão, no silêncio da manhã é um dos meus preferidos, não importa o dia. Mas é bem mais gostoso aos domingos.


 Finalmente abro a janela do escritório, e as brisas de dentro e de fora se encontram como as crianças da vizinhança. Uma bate as portas pra acordar os vizinhos e a outra faz voar todos os papéis que estvam organizados na mesa de trabalho. Em outros tempo eu ficaria incomodado, mas hoje acho graça... Saio catando os papéis e aproveito pra buscar uma caneca de café.

 Iluminação, ventilação e circulação são funcionalidades da arquitetura que fazem toda a diferença, mas ter amplitude visual sempre definiu os lugares que escolhi pra viver. E as janelas são a ponte entre a funcionalidade e a estética, são a conexão entre o lado de fora e o lado de dentro.

 Dizem que os olhos são as janelas da alma, concordo. E da mesma forma as janelas conduzem a alma através do que nos permitem olhar, sentir e apreciar do mundo lá fora.

 Bom domingo.

                                                 Rinaldo Conti:.








 

terça-feira, 12 de setembro de 2023

Silêncios - 12 09 23


 Silêncios - 12 09 23



Existem silêncios únicos, mas também existem vários silêncios.


Há um silêncio do lado de fora, há um silêncio do lado de dentro.


Tem um tipo de frequência uniforme e presente em tudo, algo que só se percebe quando nada faz barulho, e quando a gente finalmente experimenta o silêncio absoluto dentro e fora, o universo se expande, e passamos a ouvir de forma mais clara os pensamentos e sentimentos, diálogos em frequências diferentes; como ondas de rádio que transmitem mensagens invisíveis.


O silêncio pode ser assustador, mas é assustadoramente lindo, em um ambiente silencioso aguçamos os outros sentidos. Sentimos melhor as variações de temperatura, o toque do vento e os perfumes que vem de flores distantes, as cores, luzes e sombras ficam mais nítidas, os pés no chão e o toque das mãos, até os nossos sentimentos ganham outros contornos.


  Experimentar silêncios nos faz perceber melhor os ruídos, e a melodia que existe em tudo o que ouvimos. Verdades e mentiras vão ficando nítidas e o silêncio faz até uma função de filtro, altas, médias e baixas frequências, boas e más intenções, melodias e entonações, tudo fica mais nítido.


 É por isso que mesmo gostando de boas e longas conversas, e por mais que eu aprecie a companhia das pessoas que eu amo, com as quais convivo, cada vez mais eu preciso de de silêncios maiores, os mesmos que eu recomendo, do lado de fora, e do lado de dentro…


                                                                                                                             Conti:.


segunda-feira, 11 de setembro de 2023

TEXTO DE DOMINGO - N13 - 10 09 23


   CONEXÕES INVISÍVEIS.

 Eu não faço músicas, nem desenhos, muito menos poesias... 

 Essas entidades em forma de arte tem as suas próprias vidas. 


 O que acontece é que a gente se encontra, ou elas me visitam, 

vindas do invisível, e a parte que me cabe é traduzir o indizível 

de cada encontro. 


 Faço uma fotografia de cada momento, uma selfie da alma do lado de 

dentro. Começa como um esboço, a tela do artista e as tintas do

destino. Cada cor tem seu som, cada acorde uma vocação, e tudo vai 

se traduzindo, paisagens, palavras, imagens e melodias vão surgindo.


 Então não faço nada, nem músicas, nem poesias. Só observo, sem 

pressa, porque nunca se esgotam essas conversas, e o que parece que

aconteceu em um só dia, pode ser parte dos diálogos de toda uma vida.


  A beleza da arte é ser imprevisível. Inspiração, transpiração, 

conexão invisível.


                                                         Conti:.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

TEXTO DE DOMINGO - N12 - 07-09-23

 


Servos e senhores…


 Pode soar estranho que a mesma música que liberta também aprisiona, mas é uma questão de percepção, nem tudo se prende por correntes.

 

A escravidão acabou, ou acabamos de descobrir que ela só mudou de nome?

 

Não há servo sem senhor, sim senhor, senhoras e senhores. A relação de escravidão precisa de duas partes: Uma que é dona de tudo e todos, que manda, que impõe impostos, que cria leis; a outra parte é a que tem calos nas mãos, marcas de chicotes nas costas, e que só é livre para escolher a quem quer servir.


  Até Platão, que exaltava a música, expulsaria da cidade ideal os poetas. Logo, mesmo sendo livres para pensar, podemos acabar fatalmente presos a uma corrente de pensamento, ou expulsos de algum lugar por querer unir poesias e acordes. Acontece…


 Mas não é sobre filosofia e nem sobre política, é sobre música mesmo. A mesma que Platão se referia, que é a mesma que ouvimos no spotify. Será que ela nos prende ou nos liberta? Quem nunca se colocou na situação do personagem de uma canção?

Do lado de quem anda escrevendo textos e canções, às vezes cansa. Tem canções que apenas precisam ser libertadas do invisível que habitam e que precisam nascer e cuidar da sua própria vida no mundo. Tem outras canções que são planejadas como um filho, com aquela sensação de que podem tornar o mundo um lugar melhor, mas que para serem efetivamente livres não podem carregar essa expectativa; já basta os três minutos em que estarão presas.


 Nova reflexão: Aquilo que dizemos é eterno quando se repete? A canção dura mesmo três minutos ou dura por todos os três minutos que se repete quando alguém ouve a canção?


 Não vou recomendar reflexões, pelo menos por aqui a interpretação é livre, todos podem ser os servos ou senhores dos próprios pensamentos, pelo menos quando estão em silêncio..